Notícias › 30/11/2018

Palavras de frei Éderson às Irmãs Franciscanas de Santa Maria dos Anjos

Neste domingo, Solenidade de Cristo Rei e Senhor do Universo, as Irmãs Franciscanas de Santa Maria dos Anjos celebraram 25 anos de presença no Brasil.

A Congregação fundada na França, por Frei João Crisóstomo, OFMCap e por Madre Maria Crisóstomo, após vinte anos já estava na Índia. Ali, encontrou terreno fértil para cultivar o Evangelho, na espiritualidade Franciscana.

Atualmente na Índia, são mais de 400 irmãs, onde também se encontra o Governo Geral. Há 25 anos, três irmãs: Gema, Sheila e Verônica, chegavam ao Brasil, realizando o sonho de Frei João Crisóstomo de ter na Terra de Santa Cruz, suas filhas.

Com o carisma centrado na Eucaristia e na devoção mariana, encontraram largo espaço nas periferias de São Paulo. Procurando viver em profunda comunhão com as Diretrizes da Igreja no Brasil, CNBB, com a CRB e intimamente vinculadas à Conferência da Família Franciscana do Brasil (CFFB).

Na pobreza, doaram Irmã Gema, para compor uma comunidade intercongregacional para missão na Amazônia. De São Paulo, foram a Petrópolis, onde ganharam uma casa. Ali formaram as duas primeiras Irmãs brasileiras, Luiza e Márcia. Em Teresópolis moraram e trabalharam quase que gratuitamente na Fazenda da Esperança. Das montanhas fluminenses às montanhas de Minas Gerais, trabalharam por quase uma década em São João Nepomuceno. Das montanhas ao cerrado, trabalham junto dos Frades Capuchinhos, com menores em situação de vulnerabilidade em Carmo do Paranaíba, MG. A casa de Petrópolis tornou-se uma Betânia para as sete irmãs, como também para o bispo diocesano, padres, religiosos, leigos, que procuram uma pausa na caminhada.

Irmã Verônica, com seus muitos dons, exerce o ministério da escuta, atendendo semanalmente no Colégio de Santa Catarina. Ali, muitas pessoas buscam ressignificar a vida. Irmã Ellyn, Sheila, Sofhie e Gema voltaram à Índia. Viba, Flory, Pascal e Supriya chegaram.

Os restos mortais de Irmã Joana descansam na tumba das Irmãs de Santa Catarina. Aos poucos foi se formando junto delas uma Fraternidade de Leigos, que buscam viver a espiritualidade Franciscana. As irmãs vivem dos trabalhos manuais e do pouco que recebem nas paróquias. Três características para a Vida Religiosa Consagrada do futuro, já estão presentes na vida destas irmãs: Experiência de Deus, vida fraterna, pobres entre os pobres.

Não é preciso fazer nenhum esforço para perceber entre elas a forte presença de Deus. Esta proximidade se dá no cultivo diário da mística franciscana centrada na Eucaristia. A vida fraterna se revela fecunda no acolhimento de culturas diferentes. Tensões existem, mas nada insuperável. A cordialidade se manifesta de uma forma muito espontânea, sem máscaras. A pobreza em que vivem, é marcadamente evangélica, nada de supérfluo e de consumismo. Tudo nos leva a crer que confiam filialmente na Providência de Deus. Viver o cotidiano é uma arte, que aos pobres de espírito, é dada conhecer. A mística de Santa Maria dos Anjos, da Porciúncula, está profundamente enraizada na vida das irmãs.

Três elementos da espiritualidade franciscana, a partir de Santa Maria dos Anjos, são perceptíveis na vida destas Irmãs, pequeno rebanho do Senhor:

  1. Santa Maria dos Anjos, lugar da escuta do Evangelho. Ali, São Francisco ouviu o Evangelho do envio dos 12 apóstolos. Três palavras ressoaram de forma vulcânica, em seu coração: ide, pobreza, paz!
  2. Ide: Numa Igreja profundamente estabelecida, acomodada, prisioneira de suas próprias estruturas, descobre o Evangelho, como caminho, encontro, movimento.
  3. Pobreza: numa Igreja vítima de sua riqueza, ciente de sua onipotência, ouve, não leveis nada pelo caminho. A pobreza disponibiliza o coração, liberta a mente da preocupação com as posses.
  4. Paz: numa Igreja que fazia guerras/ cruzadas em nome do Evangelho, a todos anunciar e construir relações de paz!

Isto nos faz entender a exclamação de Francisco: isto eu quero, busco, desejo de todo coração.

  1. Lugar do Encontro: ali Francisco recebeu seus primeiros companheiros e Clara de Assis. Dali, enviou os frades em missão. Ali, os reencontrava cheio de zelo e saudades. Ali, se formou a fraternidade minoritica, ali, aconteceram os primeiros Capítulos da Ordem. Dali, enviou Clara a São Paulo das Abadias, a São Ângelo de Panzo, finalmente, a São Damião. Ali, revelou-se fonte! A pequenez da Ermida, dizia da pobreza de Cristo e da Virgem Pobrezinha. Dali partia em missão, ali, voltava para a intimidade. Dali, partiu para sua última morada, evocando a morte com irmã!
  2. Lugar da Misericórdia. Sentindo-se filho da misericórdia de Deus, quis oferecê-la a todos. Era impossível alguém resistir a tanto amor, a tamanha ternura de Deus. Pede ao Papa, o perdão dos pecados e a indulgência da Porciúncula, para todos, que arrependidos e absolvidos procurassem aquele lugar santo. Tomado de santa alegria, bradou: quero mandar todas as pessoas ao paraíso.

O Papa Francisco, a luz desta palavra do Poverello, recordou-nos que é missão do franciscano e franciscana, construir paraísos, onde o inferno insiste em prevalecer na vida das pessoas, da igreja, da sociedade.

Santa Maria dos Anjos, da Porciúncula, nos fala de mãe, de afeto, de colo. Daí entendermos o carisma franciscano como uma experiência terna, cheio de gestos de cuidado, onde cada pessoa é única e ao mesmo tempo chamada a alteridade, ao encontro, a comunhão. Um cuidado que não se restringe aos seus, mas que se manifesta a todas as pessoas e a todas as criaturas. Por isso, Francisco, é o irmão Universal.

Falar de Santa Maria dos Anjos, é falar do feminino, de maternidade. De útero, colo e seio.

  1. Útero: lugar onde se gera.
  2. Colo: lugar de acolhida.
  3. Seio: lugar onde se nutre.

O carisma das Irmãs de Santa Maria dos Anjos, tem muito a nos oferecer. Cada irmã é uma pequena porciúncula, uma pequena porção de tudo isto. Nelas encontramos o que se revela em Santa Maria dos Anjos, da Porciúncula, em Assis. Elas são chamadas a dar carne, calor, dinamismo a este dom de Deus, revelado a São Francisco e tão bem compreendido por Frei João Crisóstomo e Madre Maria Crisóstomo.

 

Frei Éderson Queiroz, OFMCap
Presidente da CFFB

 

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