Notícias › 06/06/2017

Mensagem da Ordem para o início do Ramadã

 

O Ramadã é o nono mês do calendário Islâmico. Nesse mês, os muçulmanos jejuam durante o dia, rezam e celebram a revelação do Corão, o livro sagrado, ao profeta Maomé (SWT). As datas para o Ramadã de 2017 (ou 1438, segundo o calendário Islâmico) é de 27 de maio a 25 de junho.

 O Ramadã é o período do ano mais importante para o mundo islâmico, quando se faz o jejum de dia e a celebração da purificação à noite. O Ramadã é um mês de festividades e alegrias e as relações com a família são estreitadas, as orações se tornam mais intensas, assim como a caridade.

 O Ramadã é praticado durante todos os dias do mês, começando na alvorada e terminando quando o sol se põe. Além de não poder ter relações sexuais, o muçulmano não pode comer nem beber (inclusive água) durante o nascer e o pôr do sol, também deve estar livre de maus pensamentos e atos.

 Não é aconselhável para não-muçulmanos (visitantes/residentes), nesse período, comer, beber ou fumar em público. Roupas devem ser mais recatadas. Pessoas que ficam isentas do jejum por alguns dias podem compensar os dias sem jejuar mais tarde. Mas, se uma pessoa não é capaz de jejuar durante o mês inteiro, por razões de saúde, pode compensar o jejum alimentando pessoas necessitadas.

 O jejum faz parte de um dos cinco pilares da religião islâmica. Os outros atos de adoração são a shahadah, que é a declaração de fé; salah, as cinco orações diárias; zakah, ou esmola; e o hajj, a peregrinação a Meca.


 ÍNTEGRA DA MENSAGEM DA ORDEM DOS FRADES MENORES
 A nossos irmãos e irmãs muçulmanos em todo o mundo
 As-salaamu ‘alaykum! Paz a todos!

Em nome da Comissão Especial da Ordem dos Frades Menores para o Diálogo com o Islã, temos o prazer de expressar nossa saudação no início da celebração do Ramadã, um mês dedicado ao jejum, à oração e à esmola, honrando a Deus (SWT, 2) e a revelação do Alcorão.

Os frades franciscanos e muçulmanos têm uma história em comum que remonta a quase 800 anos, começando com o nosso fundador São Francisco de Assis. Os irmãos seguimos nos inspirando no encontro de São Francisco e o Sultão al-Malik al-Kamil em 1219, um encontro baseado na paz, admiração mútua e respeito. Com este espírito, nós os saudamos.

Durante este mês sagrado do Ramadã, animamo-os e apoiamo-os em seu jejum rigoroso. O jejum é uma prática prescrita a todos os filhos de Abraão (sobre Ele esteja à paz!) em nossos respectivos livros sagrados. Como religiosos na Igreja Católica, os frades praticam o jejum durante o tempo da Quaresma, que precede a nossa celebração da Páscoa, seguindo o exemplo de Jesus (sobre Ele esteja a paz!), que jejuou durante quarenta dias (Lucas 4, 2).

O jejum que vocês realizam agora é um poderoso sinal de seu compromisso com a fé e obediência a Deus (SWT) assim como está escrito no Alcorão (al-Baqara, 183): “Se tornarás mais justo” e poderá glorificar Deus e ser grato (al-Baqara, 185). Seu jejum expressa nossa fome comum e sede de um relacionamento mais íntimo com Deus (SWT), na fé, perdão, justiça e paz.

O Papa Francisco tem falado muitas vezes da união entre o jejum, oração e paz. No primeiro ano de seu Pontificado, 7 de setembro de 2013, ele chamou todos os crentes do mundo a jejuar e orar pela paz na Síria, no Oriente Médio e em todo o globo terrestre. Este dia foi escolhido para coincidir com a celebração do nascimento de Maria, que tanto cristãos como muçulmanos honram como a mãe de Jesus. Cristãos católicos a chamam de “Rainha da Paz”.

Hoje, muçulmanos e cristãos em todo o mundo sofrem discriminação, perseguição, guerra e violência. Como membros das duas maiores religiões do mundo, somos chamados, como irmãos e irmãs em Abrahaão (sobre Ele esteja à paz!), a darmos nossas mãos e corações para construir um mundo de paz e justiça.

Ao quebrar o jejum no final de cada dia do Ramadã, expressam o valor de uma comunidade compartilhada, de reunir-se em torno da comida. Alimento que é compartilhado com todos para que todos possam se beneficiar da bondade generosa de criação de Deus ‘Iftar, compartilhada com todos, que demonstra vivamente o que o Papa Francisco escreveu em sua encíclica sobre a Criação:

“Precisamos fortalecer a consciência de que somos uma família humana. Não há fronteiras ou barreiras políticas ou sociais que nos permitam nos isolarmos, e é por isso que não há espaço para a globalização da indiferença “(Laudato Sí, 52).

Durante este mês, além de jejum, muitos de vocês também praticam o dever religioso do zakah, a caridade ou esmola, que se dá para o cuidado dos necessitados. Tal como acontece com o jejum, cuidar dos pobres confiados sobre todos os filhos de Abraão é uma preocupação constante de todos os profetas de Deus (que a paz esteja com Eles!). Nos Salmos de Davi (que a paz esteja com Ele), ali lemos: “Defenda o pobre e ao órfão, façam justiça ao humilde e ao necessitado” (Sl 82,3).

Jesus (sobre Ele esteja a paz) diz no Novo Testamento: “Antes, deem em esmola o que vocês possuem, e tudo ficará puro para vocês” (Lc 11,41).

Hoje, mais de 740 milhões de pessoas no mundo que vivem em extrema [1] a pobreza, a maioria dessas pessoas vive na África e na Ásia, em países habitados por muçulmanos e cristãos. A pobreza não é uma questão sectária; é um problema humano para o qual condividimos a responsabilidade, independentemente da religião, raça, etnia e país de origem.

Durante o período do Ramadã, vocês se dedicam devotamente à oração com especial atenção e frequência, superando a prática das cinco orações diárias. Os irmãos franciscanos, como homens de oração diária, valorizamos muito a grande devoção com que os nossos irmãos e irmãs muçulmanos buscam na oração. O Papa Francisco, recentemente, nos lembrou, citando o grande teólogo cristão Santo Agostinho, que o jejum e a esmola são “as duas asas da oração”, porque elas são sinais de humildade e caridade. (Homilia na Quarta-feira de Cinzas, 2017).

Acima de tudo, o mês do Ramadã é o momento em que vocês celebram a revelação do Alcorão. Como “Povo do Livro”, nós também reconhecemos que Deus (SWT) se comunica com a humanidade em Sua Palavra revelada aos profetas (sobre eles esteja a paz!). Durante mais de mil e quatrocentos anos, o glorioso Alcorão serviu de fundamento da vida Muçulmana em muitas culturas e países, gerando uma grande devoção, erudição e obras sublimes de arte e arquitetura. Que continue inspirando grandes e santas ações e obras!

Fonte: http://www.franciscanos.org.br/?p=133682

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