Espiritualidade › 23/04/2018

Maria na espiritualidade franciscana

“São Francisco, que em sua concepção específica da vida religiosa partia deste ideal e que considerava os seus como “cavaleiros da Távola Redonda”, cultivou com esmero e com intensidade toda sua o serviço da Virgem Santíssima nos moldes do ideal cavaleiroso, condicionado pelo seu conceito e pela sua prática da pobreza. Nada mais comovente e delicado na vida deste Santo, que a forte e ao mesmo tempo meiga e suave devoção à Mãe de Deus”, escreve o saudoso Ministro Geral Frei Constanino Koser. A mais famosa imagem de São Francisco, produzida pelo pintor italiano Cimabue (abaixo), mostra, não por acaso, o santo ao lado de Nossa Senhora. Maria está no centro da devoção franciscana, tanto que a Ordem dos Frades Menores tem origem na pequena capelinha Santa Maria dos Anjos, ou na Porciúncula, que se conservou através dos séculos, o foco da piedade francisclariana.

Essa devoção se manifesta fortemente na belíssima “Saudação à Mãe de Deus”:

Salve, ó senhora,
Rainha santa,
Mãe santa de Deus,
ó Maria,
que sois Virgem feita Igreja,
e escolhida pelo santíssimo Pai celestial,
que vos consagrou com seu santíssimo e dileto Filho e o Espírito Santo Paráclito!
Em vós residiu e reside toda a plenitude da graça
e todo o bem!
Salve, ó palácio do Senhor!
Salve, ó tabernáculo do Senhor!
Salve, ó morada do Senhor!
Salve, ó manto do Senhor!
Salve, ó serva do Senhor!
Salve, ó Mãe do Senhor,
e salve vós todas, ó santas virtudes, derramadas, pela graça e iluminação do Espírito Santo, nos corações dos fiéis, transformando-os de infiéis em fiéis do Senhor!

O saudoso Ministro Geral, Frei Constantino Koser, ressalta que São Francisco não é apenas um santo muito devoto, muito afeiçoado à Mãe de Deus, mas é um dos santos em que a piedade mariana aparece numa floração original e singular, sem contudo se afastar, por pouco que seja, das linhas marcadas pela Igreja.

Frei Hugo Baggio observa que quem conhece os trabalhos do Vaticano II está ao par das tentativas de recuperar a mulher, seu papel e sua influência, e conseqüentemente dar-lhe um lugar de igualdade dentro dos parâmetros sociais. Esforço digno de nota de trazê-la da periferia para o centro da vida, embasando, assim, todo o movimento em prol da mulher desenvolvido nas últimas décadas, na tentativa de acabar com a discriminação. “Interessante observar que também neste particular Francisco de Assis deixou sua influência e agiu de forma concreta e prática”, atesta o franciscano. A teóloga Lina Boff assinala que a força da piedade popular levou a Igreja a proclamar o dogma da Imaculada Conceição.

Jesus Espeja diz que, como cristãos, temos motivos de sobra para celebrar Maria como “rainha e senhora”, mas corremos o risco de esquecer a história daquela mulher simples que viveu num pequeno povoado de uma região periférica no mundo daquele tempo. Maria de Nazaré é alguém de nossa raça. Como os demais seres humanos, nasceu e viveu num contexto histórico, social, econômico, político e cultural.

Um texto da Campanha da Fraternidade de 1990 lembra que o livro do Gênesis denunciava Eva como causa do pecado original, colocando sobre todo o sexo feminino um fardo difícil de carregar, e que Maria é proclamada bem-aventurada, imaculada, sem pecado.

Do Catecismo Católico, escolhemos o texto que comenta a Oração da Ave Maria, além de outras orações marianas. Por último, um texto que fala da  iconografia mariana.

 

Fonte: http://franciscanos.org.br/?p=15660

 

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