Espiritualidade › 28/06/2017

Jesus nos mostra como vencer a perseguição

Frei Gustavo Medella

Sentir-se perseguido talvez seja uma das piores sensações a que o ser humano está sujeito. É uma luta geralmente desigual contra um adversário que não se sabe bem quem é, pois não se mostra abertamente. Afinal, é próprio do perseguidor estar atrás daquele a quem persegue, fora de seu campo de visão, “seguindo-o por” (per-seguindo) onde ele for. A impossibilidade de discernimento é a grande geradora de medo e de insegurança. Por este motivo é frequente que o que se sente perseguido superestime a força, a capacidade, a inteligência e o poder daquele que imagina como seu perseguidor.

Muitos transtornos mentais têm como sintoma a mania de perseguição. Infelizmente, também há muitos líderes religiosos, de vários credos e vertentes, que buscam dominar seus seguidores plantando-lhes na mente a ideia de que são perseguidos, de que alguém deseja lhes fazer mal, de que feitiços e magias terríveis estão sendo realizados contra eles. Implantam o medo, a insegurança e a neurose com o objetivo de dominar, explorar, levar vantagem.

De perseguição se queixa o Profeta Jeremias na primeira leitura da missa deste próximo domingo: “Eu ouvi as injúrias de tantos homens e os vi espalhando o medo em redor.” (Jr 20,10-13). Foi por ceder à perseguição da serpente, capaz de suscitar o que de pior eles tinham no coração, que Eva e Adão sucumbiram à tentação e perderam o paraíso.

E Deus? Deus vence a perseguição através da obediência. Esta foi a maneira pela qual o Filho superou as injúrias, injustiças e incompreensões. Suportou tudo fielmente até o fim e, com coragem e generosidade, desarmou os seus perseguidores. Desta entrega total, Jesus adquire a autoridade para dizer o que diz no Evangelho deste 12º do Tempo Comum: “Não tenhais medo!” Esta liberdade que o Senhor concede a seus discípulos é riqueza de valor inestimável.

Recebê-la como dom gratuito e encontrar nela a razão para vencermos o medo de qualquer possível perseguição é a parte que nos cabe. Sigamos em frente, sem medo, pois aquele que nos pede coragem foi corajoso até o fim e suportou toda sorte de perseguição para que não nos sentíssemos perseguidos.

Fonte: http://www.franciscanos.org.br/?p=136673

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