Notícias › 07/07/2017

HOMILIA NAS EXÉQUIAS DE FREI DAVID

Reverendíssimo Dom João, irmãos frades menores, sacerdotes, família franciscana reunida, religiosos, religiosas, amigos de frei David. Que o Senhor nos dê a sua Paz!

Há exatamente uma semana nós celebrávamos a abertura do nosso jubileu, setenta e cinco anos de presença dos frades menores no coração do Brasil e aqui nós fazíamos memoria dessa história, daquilo que foi construído por tantos frades que por aqui passaram e que foram construindo e deixando um pouquinho de si. Fazíamos memoria daqueles que ainda estavam no meio de nós, dentre eles frei David, e o Senhor nesse tempo jubilar nos pede o frei David de volta, nos pede que possamos restitui-lo a Ele.

Isso tem algo a nos ensinar, primeiro vem nos mostrar que quando o Senhor pede que nós restituamos a vida desse nosso irmão vem para nos mostrar que os verdadeiros frutos construídos não foram obras, não foram igrejas, mas foram as vidas que aqui se doaram, foram as vidas que se entregaram, a juventude do vigor do ministério sacerdotal e da vida franciscana. E Frei David foi um desses que recém ordenado quis partir para essas terras, sem medo, disposto, aberto e aqui ele fez do nosso Goiás a sua pátria, a sua terra, aqui ele lançou as suas raízes e quando teve a oportunidade de retornar para os Estados Unidos quando a Província se tornou independente de Holly Name, a Província mãe, mas ele por coração escolheu permanecer aqui, porque aqui era agora a sua terra.

Então essa vida que foi aqui edificada, que construiu laços, que evangelizou e que cativou, que nós estamos restituindo ao Senhor, sabendo que esse é o grande fruto que nós queremos aprender nesse jubileu; nós que ficamos queremos aprender do testemunho do frei David e assim nos faz pensar justamente não em morte mais em vida. Uma vida doada completamente aqui, nessa vida que agora nós entregamos a Deus, cremos que ele recebe o prémio pelo aquilo que viveu. Quando nós professamos os nossos votos, uma promessa ousada dita a nós “Se isso observardes te prometo a vida eterna” é a observância de nossa Regra, de nossa Consagração. E essa é a vida que agora ele recebe esse prémio da sua fidelidade.

Frei David completou nesse ano Noventa (90) anos, nasceu em 1927; em Agosto de 1948 ele professou seus votos como frade menor e em Julho de 1953 foi ordenado sacerdote, três anos depois chega ao Brasil, e aqui ele começa sua vida. Inicia seus trabalhos como vigário paroquial em Pires do Rio, em Goiandira, diretor da escola paroquial em Catalão, professor do colégio São Francisco e aqui escutamos tantos testemunhos de frei David como professor, como jogador de basquete, que cativava a juventude, que ensinava com o seu jeito tão acolhedor. Também foi pároco em Catalão em Pires do Rio e em Quirinópolis, e seus últimos trabalhos como pároco aqui em São Francisco, por oito anos, sendo também coordenador do setor de juventude, coordenador da Renovação Carismática e vigário geral da Diocese, pároco em Catalão por oito anos, longos tempos de ministério de pároco, vigário paroquial em Sant´Ana no seminário Regina Minorum e por fim no convento São Francisco desde 2014 onde após uma queda com uma fratura permaneceu acamado.

Frei David sempre foi caracterizado pela sua mansidão, pela confiança irrestrita e pura nas pessoas, era incapaz de enxergar maldade em alguém, uma pureza do seu olhar, o espirito contemplativo, a confiança na misericórdia de Deus e a solicitude o acompanhava em todo o apostolado. E por fim um grande amor a Eucaristia, centro da sua vida da sua espiritualidade. Após o acidente, que o acamou, o grande desejo de Frei David era poder voltar a andar e a celebrar a Eucaristia com a comunidade, infelizmente não pode.

Eu caracterizo Frei David como o homem das bem-aventuranças, pois olhando as bem-aventuranças de Jesus é possível enxergar o retrato do frei David, homem pobre de espirito, manso, puro de coração, misericordioso, promotor da paz, que encarnou as bem-aventuranças na sua vida, no seu falar no seu agir: “Frei David o homem das bem-aventuranças” assim eu enxergo a vida do frei David.

Aparentemente parecia ter desistido da batalha de lutar para recuperar a sua saúde, parecia ter se entregado, mas foi um modo de entrega completa de sua vida à graça de Deus, um despojamento e uma confiança de se entregar e deixar Deus conduzir seus passos. E Deus o conduzia para que ao ser cuidado pelos irmãos ao ter que renunciar a presença e trabalho na comunidade ali ele iria completar o seu ser missionário que era um ser de entrega, aquilo que o motivou desde o inicio, foi aquilo que ele teve que abraçar com todo o coração, não sem um grande sofrimento interior, mas com entrega e assim essa entrega total é prova do viver missionário que Frei David abraçou quando dispôs a vir para cá e aqui permanecer.

Então é com a dor da perda do testemunho de vida que ainda nos animava, que testemunhava aos frades mais jovens o vigor do ser missionário e assim com a graça da origem missionária nos dava esperança de que este modo pudesse nos cativar. Ficamos com a memória de tudo aquilo que frei David construiu e que nós entregamos de volta ao Senhor, como primeiro fruto desse ano jubilar, sabendo que agora é ele que olha por nós, por essa província pelos frades que continuam em missão, pela juventude que abraça esse modo de vida.

Que o senhor dê a frei David o repouso eterno.

Frei Marco Aurélio da Cruz, OFM.
Ministro Provincial

 

Fonte: http://fradesfranciscanos.com.br/homilia-nas-exequias-de-frei-david-matriz-sao-francisco.html

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