Espiritualidade › 06/12/2017

Francisco de Assis: Meditação e Oração III

Na Criação. Francisco de Assis gostava de meditar e orar a grandeza do amor de Deus que se manifesta na Criação, um espetáculo de beleza e bondade, de graça e magnitude de tudo o que forma o universo dos seres que a povoam e que revelam, umas e outras, o poder e a sabedoria do Criador. Todas as criaturas arrancam da alma de Francisco de Assis aquele Cântico de louvor às Criaturas, mas é ao Altíssimo que ele dirige suas palavras. É um Cântico completo de louvor e glória, de honra e bênção ao conjunto de todas as criaturas que revelam em suas qualidades as qualidades de Deus. É o Cântico da Irmandade de todos os seres, grandes ou pequenos, os irracionais e os racionais, todos na mesma origem.

Francisco de Assis medita o Deus Pai que tirou todos os seres do nada e os conserva em seu Ser a cada momento. E todos são companheiros no mesmo destino de louvar a Deus. As irracionais, pelo seu modo harmonioso e belo, seguem a ordem estabelecida. As criaturas racionais, como o ser humano, devem tomar consciência desta ordem e abraçá-la com liberdade e amor. Francisco de Assis sente isto como a sua grande missão durante toda vida, aqui no mundo e em toda a eternidade. Ele quer ser um alegre trovador que medita e canta e quer que todos sejam trovadores de Deus, de um modo amoroso e alegre, este é o modo de vida franciscana.

No Filho de Deus. O centro do amor de Deus se manifesta em seu Filho, Jesus Cristo. Francisco de Assis se encanta com o Filho de Deus, humano, um de nós, irmão, pobre, servo de todos. Por isso a convergência da meditação franciscana é a Encarnação. Tudo o que manifesta este Amor de Deus por nós, através de seu Filho, é objeto da sua contemplação, meditação e oração. É seu entusiasmo seráfico, é a sua resposta de amor. Onde isto se torna ainda mais evidente?

No Presépio. É aí que Francisco de Assis reinventa a cena do Evangelho e a representa ao vivo em Greccio. O Presépio é a meditação da Encarnação; é imitado até os dias de hoje pela piedade cristã.

Na Cruz. Desde o início de seu processo de conversão a Cruz era o que mais comovia Francisco de Assis. Chorava a paixão pelas trilhas dos bosques. (LTC 15). Compõe o Ofício da Paixão para rezar todos os dias como especial sinal de reverência e compaixão pelos sofrimentos do Filho de Deus. A sua conhecida prece nos recorda esta verdade: “Absorvei, Senhor, eu vos suplico em meu espírito, e pela suave e ardente força de vosso amor, desafeiçoai-me de todas as coisas que debaixo do céu existem, a fim de que eu possa morrer por vosso amor, ó Deus, que por meu amor vos dignastes morrer”.

Na Eucaristia. Um amor perpetuado feito alimento sagrado. Na carta escrita a todos os Irmãos e Irmãs, Francisco revela uma visão cósmica dos mistérios da redenção presente na Eucaristia. Implora aos Irmãos e Irmãs, beijando os pés, que prestem total reverência e toda honra ao Santíssimo Corpo e Sangue do Senhor.

Na Fraternidade. O Filho de Deus se fez irmão e servo. A Fraternidade refaz os vestígios de Jesus Cristo de modo radical: ser Irmão e Irmã, Menores, simples e pobres, por Amor e a serviço de tudo e de todos. Fazer o bem a alguém é fazer a Cristo. Ele via o Rei dos reis em cada irmão e irmã, por mais mínimos que eles fossem: pobres, leprosos e enfermos.

Na Sagrada Escritura. Para Francisco de Assis, a Palavra de Deus é fonte de meditação e oração. Fazia paráfrases de trechos da Sagrada Escritura e tinha grande amor pelos teólogos que explicavam a Sagrada Escritura com Espírito e Vida.

Na Igreja. Ele ama incondicionalmente a Mãe Igreja. Por ela se faz homem católico e apostólico. Respeita os que formam a Eclesiologia, contemplando neles a vontade do Senhor. Leva para dentro da Igreja a mensagem vital e revigorante da Boa Nova.

Em Maria. A Virgem feita Igreja. Rainha da Ordem, do céu e da terra, pobre e despojada como seu Filho.

Na morte. Ela é a irmã que abre a porta para a plena harmonia. Ela é a bem-aventurança da alegria pela conquista da vida eterna, ela é o acorde final de uma grande sinfonia de amor.

 

FREI VITÓRIO MAZZUCO.

 

Fonte: http://carismafranciscano.blogspot.com.br/

 

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