Notícias › 06/06/2017

Franciscanos celebram 100 anos de Paulo Machado

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O domingo foi de ação de graças e de festa para a Ordem Franciscana Secular do Brasil (OFS), que reuniu suas fraternidades para homenagear o Paulo Machado da Costa e Silva pela passagem dos seus 100 anos de vida. Paulo Machado, como é conhecido por todos, é um dos mais conhecidos membros da OFS do Brasil.

Paulo Machado é uma síntese da presença franciscana secular no mundo, seguidor da Regra da OFS em sua atuação como pai, advogado, escritor, professor de Direito, ex-vereador, presidente da Câmara Municipal de Petrópolis (RJ) e diretor do departamento jurídico da instituição por 37 anos. É reconhecido por todos como um exemplo de vitalidade, sabedoria e de relevantes serviços prestados à Ordem Franciscana Secular.

Na festividade, desde sua chegada à Paróquia Sagrado Coração de Jesus, um grande número de irmãos, familiares e amigos, desde os mais jovens até os mais velhos, se aglomeravam para saudar e parabenizar Paulo Machado. A celebração foi presidida pelo ex-assistente nacional da OFS, Frei Almir Ribeiro Guimarães, e concelebrada pelos frades José Maria Maia Lima, OFMCap., José Manuel, TOR, e Frei Luiz Flávio, assistente espiritual da Fraternidade Sagrado Coração de Jesus. A cerimônia também foi acompanhada pelos frades Wellington Buarque de Souza, animador fraterno nacional da Juventude Franciscana (Jufra), e Francisco Antônio da Silva, OFMConv, assistente espiritual do Regional Sudeste II.

Em sua homilia, Frei Almir destacou que no ano em que a Igreja celebra o centenário das aparições de Nossa Senhora, em Fátima, Portugal, temos no Brasil a comemoração pelos 100 anos de irmão Paulo Machado, cuja dedicação, retidão e serviço em prol da OFS deixou um legado para as futuras gerações. Frei Almir e reconheceu que a história de Paulo Machado se confunde com a história da OFS no Brasil, cuja testemunho de vida fraterna exemplar, ilumina o agir dos franciscanos seculares nos desafios postos por uma sociedade marcada por mazelas e corrupção.

Ainda na celebração, Paulo Machado foi agraciado com a visita da relíquia de São Francisco de Assis que está percorrendo todos os regionais do Brasil em preparação para o jubileu de 800 anos da Ordem Franciscana Secular, que será celebrado em 2021. No encerramento da celebração, Frei Almir convidou os frades presentes, o Ministro Nacional e seus predecessores e membros do Conselho Nacional para abençoar Paulo Machado com a tradicional Bênção de São Francisco de Assis.

Após a singela celebração, a Fraternidade Sagrado Coração de Jesus recepcionou os convidados para celebrar o aniversário e o testemunho de vida exemplar do irmão Paulo Machado.

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Uma vida dedicada à Ordem Franciscana Secular

Paulo Machado da Costa e Silva nasceu em Petrópolis, Região Serrana do Estado do Rio de Janeiro, no dia 17 de maio 1917, filho de José Machado e de Iria Machado. Seu pai foi franciscano secular e gerente da Editora Vozes, e sua mãe, católica fervorosa e com boa formação religiosa, atributos que marcaram sua vida.

Paulo Machado fez sua primeira comunhão na Paróquia do Sagrado Coração de Jesus de Petrópolis. Mais tarde ingressou no Seminário Arquidiocesano de Azambuja, em Brusque, Santa Catarina, mas sua vocação matrimonial revelou-se e casou-se com Waldemira da Costa e Silva, constituindo com ela uma bela família.

Machado nos conta que seus primeiros encontros com Francisco de Assis foram silenciosos e frequentes, tanto no ambiente familiar quanto na participação com os franciscanos da Paróquia Sagrado Coração de Jesus. Entretanto, o verdadeiro encontro com o ‘santo de Assis’ se deu quando ingressou na Fraternidade Sagrado Coração de Jesus. Foi admitido ao tempo de formação na Ordem Terceira Franciscana (OTF), antigo nome da Ordem Franciscana Secular, em 17 de setembro de 1948, e sua profissão definitiva se deu em 4 de outubro de 1949, quando recebeu o nome de Irmão Leonel, como era costume na época.

Na Fraternidade do Sagrado Coração de Jesus exerceu a função de mestre de noviços (formador), de 1950 a 1955, depois de 1959 a 1961, e por último de 1992 a 1996. Foi ministro da fraternidade, por mais de um triênio, de 1961 a 1965. No período de 2000 a 2015 exerceu a função de assessor jurídico da fraternidade local.

O processo de unificação da OTF se iniciou a partir da convocação do Concílio Vaticano II, convocado pelo saudoso irmão franciscano secular e papa, João XXIII, obra continuada pelo também saudoso Papa Paulo VI. A partir de então, começou a grande efervescência, o ‘aggiornamento’ que impulsionou o apostolado leigo na Igreja e no mundo. O Concílio transcorria em um período de grandes transformações e que exigia da Igreja respostas urgentes que requeriam também dos franciscanos seculares uma nova postura diante de tantos desafios que se impunham.

No período que antecedeu a formação da Fraternidade Nacional Obediencial, participou, em 1955, do Encontro Nacional, em Ipanema, sobre a OTF e sua renovação. Em 1958, colaborou na tradução das Constituições da Ordem Terceira Franciscana, de 1957. Em 1963, secretariou o 1.º Congresso Nacional da Ordem Terceira Franciscana, em São Lourenço (MG), permanecendo como secretário geral do 2.º Congresso Nacional da OTF, no Rio de Janeiro e em Caxias do Sul (RS), de 1963 a 1966.

Em outubro de 1967, participou do III Congresso Mundial para o Apostolado dos Leigos, em Roma, Itália, como delegado da OTF do Brasil pela obediência da Ordem dos Frades Menores (OFM) e como um dos delegados oficiais da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Retornando de Roma, foi nomeado segundo presidente Nacional Obediencial da OTF, em virtude da renúncia, devido a encargos familiares, da primeira presidente Mariana de Lorena Molina Bastos.

O desdobramento deste grande Concílio gerou muitos encontros e congressos, cujas palavras de ordem era “volta às fontes”. É desse período a realização do Congresso de Assis, realizado em 1969, no qual toda Família Franciscana esteve debruçada nessa árdua tarefa de manter o frescor e o vigor do carisma franciscano no mundo e que trouxeram grandes frutos, inclusive a nova Regra, que nove anos depois receberíamos das mãos do Papa Paulo VI, em 24 de junho de 1978.
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A própria mudança do nome da Ordem Terceira Franciscana para Ordem Franciscana Secular foi apresentada por Paulo Machado. Essa e outras alterações no texto da Regra visavam atualizar e ampliar a contribuição dos franciscanos seculares diante dos problemas sociais da época.

Nesse processo de revitalização da regra, Paulo Machado da Costa e Silva atuou brilhantemente e, graças a sua grande habilidade, ajudou no processo de construção de uma nova regra para os franciscanos seculares. O Congresso de Assis produziu as memoráveis ‘Moções de Assis’, que segundo o saudoso Frei Egberto Prangenberg, OFM, ‘exprimiu o grande desejo da OFS pela unidade’.

Esse desejo continuou sendo construído também no Brasil quando, em setembro de 1968, os Conselhos Nacionais Obedienciais da OTF aprovaram um Estatuto Nacional Interobediencial e elegeram seus respectivo Conselho Nacional, tendo Paulo Machado como ministro. Esse processo culminou com a Assembleia Conjunta dos Conselhos Obedienciais (OFM, OFMCap. e OFMConv.), ocorrida no Convento Santo Antônio do Largo da Carioca (RJ), entre os dias 2 e 6 de fevereiro de 1972. A assembleia teve como principal objetivo transformar este Conselho Nacional Interobediencial em Conselho Nacional da Ordem Franciscana Secular para o triênio 1973-1975.

Para o alcance da unificação, a atuação da irmã Maria Natividade de Carvalho Gomes foi de grande relevância, pois representava as fraternidades do ramo obediencial sob custódia dos frades menores capuchinhos. A partir dessa histórica assembleia, surgiu o primeiro Conselho Nacional da Ordem Franciscana do Brasil, tendo como primeiro ministro, Paulo Machado da Costa e Silva e como vice-ministra, Maria Natividade de Carvalho Gomes.

Em 1973, após a assembleia seguinte, alguns novos irmãos vieram a contribuir com esse esforço pela unificação e passaram a integrar o Conselho da OFS, com a atuação do irmão Sylvio Vieira de Carvalho, representando as fraternidades do ramo obediencial sob custódia dos frades menores conventuais. Paulo Machado foi reeleito ministro nacional no triênio seguinte.

No período em que exerceu a função de ministro nacional, Paulo Machado insistiu na vivência da espiritualidade e do sentimento de pertença franciscana secular, segundo as orientações do Vaticano. Participou ativamente das reuniões do secretariado para o estudo de propostas para a nova Regra da OFS.

Na fraternidade internacional foi nomeado, em fevereiro de 1974, para compor a ‘Comissão da Regra’ e, três anos mais tarde, junto com outros cinco representantes de outros idiomas, fez parte da comissão encarregada de apresentar a versão final do texto da nova Regra em conjunto com a Presidência Mundial da Ordem e mais três peritos.

Em sua trajetória como irmão franciscano secular foi conselheiro internacional pelo Brasil do Conselho Internacional da Ordem Franciscana Secular do Brasil (CIOFS), integrando, por longo tempo, a assessoria jurídica da Presidência do Conselho Internacional. Participou ainda, da Comissão que elaborou o projeto das Constituições Gerais no período de 1978 a 1990.

Em 1986, foi novamente eleito ministro nacional, ocasião em que lançou e manteve o Boletim Informativo do Conselho Nacional. Paulo Machado também apoiou o Centro de Estudos Franciscanos e Pastorais para a América Latina (CEFEPAL), hoje Conferência da Família Franciscana do Brasil (CFFB). Desde quando o CEFEPAL surgiu no Brasil, em 1966, Paulo Machado sempre contribuiu com o trabalho do Centro, quando, em 2006, a CFFB se transferiu de Petrópolis para Brasília.

Nesses 67 anos de profissão, Paulo Machado cita irmãos que marcaram sua vida na OFS, por seu testemunho, vivência do amor fraterno e exemplo de superação das dificuldades. Entre elas estão o seu formador, José Fernandes Sampaio, e Frei Mateus Hoepers, OFM. Dentre os irmãos da Fraternidade Sagrado Coração de Jesus, destaca o nome dos irmãos Prudente Aguiar, Jose Kneip, Mesquita Pimentel, Nelson Sá Earp e Euclides Guimarães.

Machado também destaca a atuação de irmãos de outras fraternidades que também contribuíram com o seu trabalho na OFS, como os irmãos e irmãs Aylton de Souza Almeida, Sylvio Vieira de Carvalho, Luiz Guimarães Regadas, Pedro Batista de Oliveira Netto, Antônio Pinto da Silva, Mariana de Lorena Molina Bastos, Ruth de Azevedo Costa, Yara Rubem de Macedo, Maria Natividade de Carvalho Gomes e Celina Braga Campos.

Decorridos 45 anos da unificação da Ordem Franciscana Secular do Brasil, agradecemos ao Altíssimo e Bom Senhor tantas graças que tem nos concedido através do incansável trabalho de Paulo Machado, que neste 67 anos de profissão e 100 anos de existência sempre partilhou seus dons, vida e vocação que cremos serem oferendas perfeitas a Deus, à Igreja e aos irmãos.

Cláudio Santos, OFS, especial para este site

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