Círio de Nazaré

HISTÓRIA

As várias versões para o achado da Imagem

Há diversas versões para o início da devoção por Nossa Senhora de Nazaré em Belém. Pesquisadores descrevem fatos quem tentam explicar a origem, embasados em documentos ou nas narrativas apresentadas ao longo da história.

Ainda em 1653, os Jesuítas iniciam a devoção a Nossa Senhora de Nazaré na localidade de Vigia de Nazaré, no Pará. Apesar da origem ser atribuída àquele local, Círio como romaria foi instituído somente a partir da metade do século XIX, vários anos após o Círio de Belém.

Na capital Paraense, Dom Frei João Evangelista, quinto bispo do Pará (1772 a 1782), que pertencia à Terceira Ordem Regular de São Francisco, transcreve em um manuscrito, atribuído ao Convento de Santo Antônio dos Capuchos, em Portugal, sua conversa com Plácido José de Souza, sobre como teria sido encontrada a imagem de Nossa Senhora de Nazaré em 1700. O Prelado visitou a ermida de Plácido logo após sua chegada a Belém. De acordo com o documento histórico, a imagem foi encontrada naturalmente, ao final do mês de outubro, há poucos passos ao sul da estrada do Maranhão, sobre pedras lodosas, à margem de um córrego onde o gado se saciava. O bispo relata que os pais de Plácido ainda eram vivos e que após sua morte teriam sido sepultados à margem do igarapé.

Plácido imaginou que a imagem poderia ser de algum peregrino em viagem para o Maranhão, já que os viajantes paravam ali para beber água. Também poderia ser de algum cristão que, surpreendido pelos índios, fugira ou morrera sem poder abrigar a estatueta. A choupana de Plácido, próxima ao ponto de água, era bastante procurada como pousada na estrada do Maranhão e por isso muitas pessoas conheciam a imagem, que começou a receber ceras e outros donativos. Plácido lamentava não ter recursos para preparar um oratório mais decente, mas, de acordo com o relato de Dom Frei João Evangelista: “O coração do humilde era o melhor abrigo para a Rainha dos Céus”. Almeida Pinto confirma a existência do manuscrito de Dom Frei João Evangelista, acrescentando que em 1773 foi iniciada a construção da segunda ermida por Plácido, tendo a primeira pedra abençoada pelo prelado. (Da obra “Nossa Senhora de Nazaré – Sua devoção em Portugal e no Pará – sua Basílica em Belém do Pará”, de Padre Francisco Dubois, CRSP – 1946).

Outras versões para os fatos também estão presentes na tradição repassada ao longo de várias gerações entre os devotos, algumas relatando a origem de Plácido e da imagem si, bem como a forma como foi encontrada, além da narração do retorno misterioso da imagem ao local onde foi inicialmente encontrada por Plácido, que no momento do achado estaria recolhendo lenha, caçando ou mesmo levando o gado para beber água.

Algumas narrativas apontam Plácido como agricultor e caçador. Filho de Manoel Aires de Souza, era sobrinho de Aires de Souza Chichorro, que foi um dos capitães lusos do Grão-Pará. Ana Maria de Jesus, esposa de Plácido, era natural do Pará, filha de Fernão Pinto da Gaia, irmão além-tejano Antônio Pinto da Gaia, também capitão-mor, que teria doado as terras na estrada do Maranhão, conhecidas ainda como Utinga.

O “milagre do retorno”

Certos relatos apontam que Plácido encontrara a imagem em uma bifurcação de um taperebazeiro (árvore do taperebá) e outros de que seria em uma espécie de nicho natural em meio a trepadeiras. E que, após achar a imagem, que estaria com um manto, percebeu costurado na parte interna um papel onde se lia “Nossa Senhora de Nazaré do Desterro”. Ele a levara para sua casa e a colocara em um pequeno altar de miriti, onde estavam um crucifixo e outras imagens de santos de sua devoção. No dia seguinte, a imagem teria sumido. Ao retornar ao local do achado, percebeu que ela se encontrava no mesmo lugar do dia anterior. O fato repetiu-se durante alguns dias e a notícia do “desaparecimento” se espalhou, provocando a intervenção das autoridades civis e eclesiásticas, fazendo com que a imagem fosse levada para o Palácio do Governo, ao Paço Episcopal e a recém-erguida Catedral, de onde ela também sumiu, sendo encontrada no mesmo local.

Por conta dos desaparecimentos, Plácido teria entendido que a imagem deveria ficar no local onde fora encontrada e ali construiu uma ermida para abrigá-la. O local do achado, de fato, é onde hoje se encontra a majestosa Basílica Santuário de Nazaré.

O chamado milagre da “fuga da imagem” para seu local de origem é tido como um prodígio que indica que o lugar teria sido escolhido por Deus para que ali a fé de seus filhos fosse manifestada. Ainda hoje a graça do Pai se manifesta por meio da intercessão da Vigem Santíssima, que acolhe seus filhos para celebrar, louvar, bendizer e suplicar ao Senhor.

A imagem é em si a memória e representação da Mãe que, trazendo o filho amado nos braços, acolhe toda a humanidade N’Ele simbolizada. A doutrina Católica ensina que não são as imagens que fazem milagres, mas sim Deus Trino, que por intercessão de Maria, que nos antecedeu no Reino Celeste, realiza o impossível. Ao longo da história incontáveis são os relatos de graças alcançadas por intercessão de Nossa Senhora de Nazaré aos filhos que acorrem ao local do achado da imagem, comprovando que se trata de um lugar abençoado e consagrado a Deus onde seu poder se manifesta de maneira inigualável.

Origem da Imagem

A verdadeira origem da imagem é desconhecida, supondo-se que seja de Portugal, visto que à época não haveriam “santeiros” habilitados para a elaboração desta espécie de escultura em Vigia de Nazaré, local onde a devoção foi primeiramente implantada pelos colonizadores. A estatueta possivelmente teria sido trazida pelos missionários Jesuítas, responsáveis pela difusão da devoção por este título mariano em outros locais no território amazônico. A maioria dos pesquisadores contesta a versão de que a imagem teria sido transportada por terra da localidade de Vigia pelo fato de que o caminho era perigoso por conta da presença de povos arredios ao longo do seu curso, fazendo com que só fosse possível a comunicação com Belém pelos rios.

A devoção se intensifica

Com o passar do tempo, a primeira ermida erguida por Plácido já não comportava mais tantos devotos e assim, sucessivamente, foram construídas mais duas ermidas e a matriz, sucessivamente, antes do majestoso templo como o temos hoje.

Ao redor da ermida de Plácido foi aberta uma clareira em meio à mata e, ao longo do tempo, foi ocupada por moradores e comerciantes, aproveitando-se do grande fluxo de romeiros que visitavam o lugar que passou a ser chamado de “Arraial de Nazaré”. O movimento de romeiros era maior nos períodos das históricas epidemias de doenças que atingiam Belém.

Entre 1730 Plácido iniciou a construção da segunda ermida, mas falecera antes que as obras fossem terminadas, confiando a tarefa ao amigo Antônio Agostinho, que também ficou responsável pela guarda da imagem. Era uma capelinha de taipa caiada por dentro e por fora. Maior que a primeira, era coberta de palha e com um altar de madeira. Nas paredes laterais foram colocados cabides para receber os objetos de pagamento de promessas.

Em fevereiro de 1773, Dom Frei João Evangelista Pereira, o quinto bispo da então Diocese de Belém, recém chegado, visitou o Arraial e resolveu enviar a imagem a Portugal para que fosse reformada. Além disso solicitou à Rainha, Dona Maria I, e ao Papa Pio VI a licença oficial para a realização da festividade de Nossa Senhora de Nazaré. O bispo visitou novamente o arraial em outubro daquele ano e realizou a bênção da pedra fundamental para a construção da terceira ermida e esperava que altar e o nicho estivessem prontos quando a imagem fosse trazida de volta. A imagem retornou a Belém dia 31 de outubro de 1774 (domingo). Atendendo ao convite do bispo, a população a recebeu com grande festa no porto, de onde foi conduzida em uma grande procissão até a ermida.

O primeiro Círio

Dom Frei João Evangelista faleceu antes que a resposta quanto à festa fosse concedida. Seu sucessor, Dom Frei Caetano Brandão, reiterou o pedido em 1788, conseguindo despacho favorável do Pontífice em 1790. Ao comunicar a notícia a rainha queria tratar com o prelado e com o então capitão geral do Rio Negro e Grão-Pará, Francisco de Souza Coutinho, mas o Bispo havia deixado o episcopado dois anos antes. A licença chegou durante um período de vacância no episcopado, em 1792.

Francisco de Souza Coutinho visitou o arraial em outubro daquele ano e ficou impressionado com a movimentação de devotos em torno da devoção a Virgem de Nazaré, tornando-se também devoto. Assim, resolveu dar maior importância ao local, atraindo para Belém a atenção de toda a Província. Após a liberação da festa, o governador planejou organizar para o dia 8 de setembro de 1793 uma grande feira com produtos agrícolas oriundos das várias regiões da capitania. Cada vila ou cidade precisaria contribuir com a exposição, havendo inclusive condução gratuita até Belém, especialmente com embarcações saindo de diversas localidades. Alguns navios trariam inclusive povos indígenas de várias etnias. Foram três meses de preparação para a festividade.

Entretanto, no final do mês de junho, o capitão adoeceu e ficou receoso de não poder inaugurar a feira, prometendo que se ficasse curado iria mandar buscar a imagem de Nossa Senhora de Nazaré ao Palácio e na capela seria celebrada uma missa, presidida pelo capelão, Padre José Ruiz de Moura, em seguida levaria a imagem do Palácio, em um palanquim, até a ermida, acompanhado pelo povo. E assim, após receber a graça, mandou buscar a imagem no dia 7 e realizou a procissão no dia 8 de setembro de 1793, sendo considerado este como o primeiro Círio.

Á frente do cortejo seguiu a cavalaria e a imagem foi transportada pelo capelão em um palanquim azul, ladeada por uma guarda nobre, o capitão, o Cabido Diocesano, todos os integrantes das casas civil e militar e uma multidão de devotos, entre brancos, indígenas e negros. Na chegada à ermida foi celebrada outra missa e após foi concedida a bênção da pedra fundamental para a construção da terceira ermida.

Por toda a semana foram realizadas ladainhas na ermida e a feira no arraial. O governador compareceu todas as noites para apreciar as barracas de palha que vendiam os diversos produtos regionais.

Da Matriz à Basílica

Para o povo cristão, se os locais consagrados a Deus como igrejas e capelas apresentam-se como especiais por si mesmos, mais especiais ainda são os que apresentam a característica de terem sido escolhidos por Deus para a realização de acontecimentos importantes, como os locais sagrados da Terra Santa, de aparições de Nossa Senhora ou de manifestações prodigiosas, como é o caso do achado da imagem de Nossa Senhora de Nazaré em Belém, que colocou este lugar em um patamar importante que exige especial consagração por conta do acontecimento.

Em 1861 foi criada a Paróquia Nossa Senhora de Nazaré do Desterro, enquanto as obras da construção da matriz seguiam lentamente, iniciadas em 1852, executadas até 1881, mas entregue apenas em 1884, após a resolução da chamada “Questão Nazarena”.

A matriz era considerada acanhada e sem estilo e precisou ter partes demolidas e reconstruídas, além do fato da torre que foi pedida pela Comissão Estadual de Obras não ter sido concluída. Era necessário erguer um novo templo. Os trabalhos então foram confiados a um italiano que se dizia arquiteto, mas as plantas não foram aceitas pela Câmara Municipal.

Em 1905 a Paróquia foi entregue à administração dos Clérigos Regulares de São Paulo (Barnabitas), que haviam chegado a Belém em 1903 e até então teriam ficado à frente do Seminário Diocesano Nossa Senhora da Conceição.

Em 1908 chegou ao Pará o visitador dos Barnabitas no Brasil, padre Luiz Zóia, que sugeriu a construção de uma nova matriz ao lado da antiga para não interromper o andamento das atividades religiosas. Sua proposta foi de construir uma réplica reduzida da Basílica de São Paulo Extra Muros, de Roma.

Encomendou o projeto aos arquitetos Gino Coppedé e Giusepe Pedrasso, de Gênova, na Itália, e esteve à frente pessoalmente durante quase 20 anos dos trabalhos de construção. A Comissão Estadual de Obras, entretanto, interferiu no projeto, incluindo as duas torres. A primeira pedra foi abençoada pelo Arcebispo de Belém à época, Dom Santiago Coutinho, em 24 de outubro de 1909. No mesmo dia o poeta maranhense Euclides Faria apresentou o que é considerado hino oficial do Círio, “Vós sois o lírio mimoso”, de sua autoria.

Na segunda leva de Barnabitas que chegaram a Belém, em 1905, estava o jovem Padre Afonso Di Giorgio, que pôde acompanhar o início dos esforços pela construção até 1912, quando foi transferido para o Rio de Janeiro, retornando quatro anos depois como superior da comunidade, encarregado das obras e vigário, substituindo o confrade, Padre Francisco Richard.

Padre Afonso entregou-se de corpo e alma, até sua morte, à conclusão das obras do templo, com a responsabilidade de revesti-lo de glória e esplendor, tornando-o uma joia da arquitetura sacra na Amazônia.

Devido a escassez de recursos, buscados de diversas maneiras, entre festividades, doações e até por cooperadores internacionais, as obras seguiram lentamente e, quem sabe por conta disso, cuidou-se minuciosamente de cada um dos muitos detalhes da arquitetura, tanto que torna-se impossível percebê-los em pouco tempo de visita.

Em 1920, mesmo com as obras ainda em andamento, a imagem encontrada por Plácido foi trasladada da antiga matriz para o interior do novo templo. Três anos depois foi inaugurado o altar-mor, comemorando-se os 25 anos de ordenação sacerdotal de Padre Afonso. A imagem foi entronizada no glória em 1926, ano em que foi concedido pelo papa Pio XI o título basilical.

Praticamente todo o templo foi elaborado em partes pré-moldadas por diversas empresas da França, Itália e também do Brasil, trazidas a Belém de navio e montadas no local, encaixadas milimetricamente nos seus lugares pré-determinados.

Fazendo parte dos elementos que compõem o Círio de Nazaré, a Basílica integra o conjunto da declaração como Patrimônio Cultural da Humanidade pela da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), ocorrida em 2013.

Desde quando a Imagem Original (encontrada por Plácido) foi entronizada no glória (em 1926) outra imagem, pertencente ao Colégio Gentil Bittencourt (antes chamado de Amparo), passou a substituí-la nas romarias até 1969, quando foi confeccionada a Imagem Peregrina.

Texto: Fabrício Coleny – Jornalista Publicitário

Com informações da obra “Nossa Senhora de Nazaré – Sua devoção em Portugal e no Pará – sua Basílica em Belém do Pará”, de Padre Francisco Dubois, CRSP – 1946

As linhas arquitetônicas obedecem ao estilo romano, com predominância do neo-clássico atrasado. Mede 62 metros de comprimento por 24 de largura e 20 de altura. As torres medem 42 metros, onde estão nove sinos. Na torre do lado direito (de quem olha de frente) fica o sino maior, pesando mais de uma tonelada, com 1,8 metro de diâmetro. O conjunto com os outros oito fica na torre esquerda. Foram instalados em 1930 e cada um traz, além de um crucifixo, a imagem e o nome de um santo padroeiro.

A parte interna é dividida em cinco naves. A nave central, o transepto e o abside formam uma cruz latina. Possui 36 colunas em granito róseo com bases em diorite que sustentam arcos. 54 vitrais espalhados por todo o templo iluminam e colorem o interior. O forro do teto é em madeira de lei da região, em especial o cedro. Mais de trezentas peças de mosaicos da Casa Gienense, de Veneza, foram instaladas, dentre as quais, 38 medalhões em que mostram a vida e as virtudes de Maria, anjos que trazem a oração da Salve Rainha, anjos, flores, a Via Sacra, dentre outros.

Na entrada três portas monumentais em bronze com painéis e medalhões em alto relevo com gravuras relacionadas às invocações das ladainhas de Nossa Senhora. A porta central, com 5.655 quilos, foi instalada em 1963, por ocasião do VI Congresso Eucarístico Nacional, e quatro anos depois foram encomendadas as duas laterais, todas produzidas pela Metalúrgica Abramo Eberle, de Caxias do Sul (RS).

Duas capelas que ladeiam o altar mor, uma dedicada ao Sagrado Coração de Jesus e outra a Nossa Senhora do Brasil e há ainda 11 altares nas naves laterais. Possui também 24 lampadários venezianos e um órgão com três teclados e 1.100 tubos.

Texto: Fabrício Coleny – Jornalista Publicitário

As imagens – A devoção por Maria começou ainda no início da caminhada da Igreja e perdura até hoje. De lá pra cá muitas foram as formas criadas para exaltar a Mãe de Jesus em suas virtudes, situações e também expressadas nas aparições acontecidas mundo a fora. Um dos títulos marianos mais antigos, difundidos pelo mundo inteiro remete ao período da infância de Jesus, em Nazaré da Galiléia (daí o motivo de ser chamado Nazareno). Surgira assim a maneira de chamar Maria de Nossa Senhora de Nazaré.

De acordo com a tradição, a primeira imagem criada para representar a figura de Maria fora justamente dela em Nazaré. Vamos contar, então, o início de tudo, até chegar na Imagem Peregrina, venerada em Belém, levada às ruas pelos fieis no Círio.

A primeira imagem – Um dos fatos narrados pela tradição católica dá conta de que São José, emocionado por presenciar a cena da mãe sentada amamentando o Menino Jesus, teria esculpido uma imagem de Nossa Senhora, que mais tarde fora ornamentada por São Lucas. Entalhada em madeira, possui 25 centímetros e recebeu a denominação de Nossa Senhora de Nazaré.

A imagem saiu de Nazaré em poder do monge Ciriaco, em 361. Este, chegando em Judá, entregou-a a São Jerônimo e este a Santo Agostinho, que da África remeteu-a ao Mosteiro de Caulina, na Espanha, onde permaneceu até 712.

Rei Rodrigo, vencido em um combate, refugiou-se no convento até que, junto com o abade Romano, fugiram levando a imagem e as relíquias de São Brás e São Bartolomeu. Caminharam até próximo de Portugal, onde o monge refugiou-se em uma ermida sobre um monte. Em 1179 a imagem foi reencontrada por pastores e a notícia se espalhou, atraindo muitas pesoas, dentre os quais Dom Fuas Roupinho, irmão do rei de Portugal à época, Afonso Henrique. Em 1182, Dom Fuas recebeu uma grande graça, segundo ele por intercessão de Nossa Senhora de Nazaré, e mandou erguer uma ermida no local onde hoje se encontra o Santuário de Nazaré, em Portugal.

Imagem Original – A chamada de imagem “Original” é uma escultura em estilo Barroco confeccionada em madeira que foi encontrada por Plácido José de Souza, no ano de 1700. Ela possui 28 cm de altura e apresenta traços de uma senhora portuguesa. Já foi reformada três vezes, a primeira entre 1773 e 1774. Em seu retorno, após a primeira restauração, foi levada em uma grande procissão que saiu do porto de Belém seguindo até a ermida, no arraial de Nazaré. A segunda restauração aconteceu em 1846, quando a imagem foi novamente enviada a Portugal.

Há diversas versões quanto ao achado da imagem, relacionadas a fatos como estar ou não trajando um manto e também a forma ela como foi encontrada, às margens do igarapé Murutucu, no local onde foi erguida a Basílica Santuário.

Em 1953, durante a realização do VI Congresso Eucarístico Nacional em Belém a imagem recebeu o manto e a coroa pontifícia, por determinação do Papa Pio XII. O manto, confeccionado em cetim, juntamente com a coroa, são trabalhados com fios de ouro e pedras preciosas. Foi a primeira vez que a imagem saiu da Basílica, desde que foi trasladada da antiga matriz para o interior do templo, em 1920. Depois, saiu apenas em 1980, quando da visita do Papa João Paulo II a Belém, e em 1993, no Círio 200.

Imagem Peregrina – Em 1968, atendendo pedidos dos fieis, que alegavam ser a imagem do Colégio Gentil bastante diferente da imagem original, o então Pároco de Nazaré, Padre Luciano Brambilla, resolveu encomendar uma réplica da imagem para que fosse utilizada nas procissões e cerimônias oficiais. A tarefa, que contou com a ajuda da senhora Mizar Bonna, ficou a cargo do escultor italiano Giacomo Mussner, a quem foram enviadas diversas fotografias mostrando inclusive as medidas exatas da imagem original, mas com um pedido importante: Maria teria que ter o rosto das mulheres amazônicas e o Menino Jesus a aparência de uma criança indígena.

De acordo com Mizar Bonna, o escultor pode ter se enganado com as fotografias enviadas, fazendo com que remetesse primeiramente uma imagem esculpida com manto e com aparência das imagens desenhadas para os cartazes antigos. Como esta não foi aceita, foi doada para o município de Bragança-PA, onde passou a ser utilizada no Círio de Nazaré. A segunda imagem enviada é a que temos hoje. As cores e detalhes da pintura são praticamente as mesmas, a principal diferença está no burel (manta que cobre o Menino) que na imagem original possui detalhes em prata e na peregrina em ouro. Passou a ser utilizada a partir do Círio de 1969.

Do costume antigo da imagem do Colégio Gentil retornar para a capela da escola após a Festa, algumas pessoas ainda pensam que ela permanece lá durante o restante do ano, mas a verdade é que ela fica na sacristia da Basílica.

Imagem do Colégio Gentil – Não se sabe a origem exata desta imagem, apenas que ela pertencia às irmãs e ainda permanece na capela atualmente. Produzida em gesso, o estilo em que foi confeccionada é diferente da imagem original. Foi utilizada no Círio entre os anos de 1920 até 1968, substituída depois disso pela imagem peregrina. A intenção era de preservar a imagem de Plácido. Durante a quinzena da Festa de Nazaré, após o Círio, ela ficava no interior da Basílica, no cibório (que leva a imagem peregrina na Romaria das Crianças e Procissão da Festa), ao lado do presbitério, até 1963, quando uma decisão do Concílio Vaticano II definiu que não poderia permanecer mais de uma imagem do mesmo padroeiro dentro dos templos.

Mantos – Pesquisadores divergem quanto ao fato de a imagem que foi encontrada por Plácido estar ou não portando um manto. Alguns relatam que não, mas os que dizem que sim, há os que dizem que era adornada por um manto azul brilhante ainda preservado como se estivesse em um templo e outros de que estaria desgastado pelas intempéries, já que a imagem fora encontrada em meio à floresta. Nos primeiros registros de cartazes da Festa de Nazaré ela sempre foi retratada com um manto em formato retangular, tanto que a mesma tradição foi mantida mesmo quando começou a se utilizar a imagem do Colégio Gentil, que apesar de possuir estrutura diferente da imagem original, recebia um manto com os mesmos moldes dos que seriam utilizados antes.

Não há relatos sobre a periodicidade da confecção ou troca de mantos anualmente no Círio. Entretanto, acredita-se que o costume seria antigo, a se julgar pelos cartazes e representações da imagem de Nossa Senhora de Nazaré. Entre pessoas mais conhecidas pela confecção de mantos está irmã Alexandra, que pertencia à Congregação Filhas de Sant’Ana, do Colégio Gentil Bittencourt. Ela confeccionava os mantos anualmente, com material doado por promesseiros. Foi assim até sua morte, em 1973. Depois dela a missão foi assumida pela ex-aluna da escola e sua ajudante na tarefa de bordar as peças, Esther Paes França, que chegou a confeccionar 19 mantos. A partir daí, vários católicos e estilistas famosos já receberam a importante tarefa de produzir o manto usado pela Imagem Peregrina para as procissões do Círio.

Berlinda – A berlinda começou a ser utilizada no Círio a partir de 1882, por sugestão do Bispo Dom Macêdo Costa. Até então a imagem era conduzida no colo pelo capelão do Palácio do Governo, como era tradição desde o primeiro Círio, em um palanquim, uma espécie de liteira fechada presa a um varal levado no ombro por quatro ou seis homens, veículo comumente utilizado à época por pessoas abastadas e autoridades.

A partir da utilização da berlinda, puxada por cavalos, a imagem passou a ser levada sozinha. Em de 1885 foi introduzida a corda.

No ano de 1926, entre as diversas mudanças sugeridas pelo então Arcebispo de Belém, Dom João Irineu Joffily, a berlinda foi substituída por um andor e assim permaneceu até o Círio de 1930, quando retornou.

A berlinda atual é a quinta da história. Foi confeccionada em 1964, pelo escultor João Pinto. Ela tem estilo barroco e foi produzida em cedro vermelho. Conforme a tradição é ornamentada com flores naturais, sendo utilizada no Círio e na trasladação. Para as demais romarias oficiais são utilizadas berlindas menores e mais simples, com exceção à Romaria das Crianças e à Procissão da Festa, quando é utilizado o nicho onde a imagem era colocada no presbitério da Basílica (tradição que permaneceu desde a entronização da imagem original até o Concílio Vaticano II), colocado em um andor com rodas. No Recírio a imagem é levada em um andor nos ombros.

Em 2012 a berlinda passou por uma reestruturação, quando foi inserida uma nova cobertura de folhas de ouro. A reforma envolveu também a implantação de um moderno sistema de iluminação em fibra ótica, com luz branca no interior, representando a paz e a pureza de Nossa Senhora, e amarela na parte exterior realçando os detalhes da estrutura. Todos os anos, antes do Círio, a berlinda passa por pequenos reparos.

Corda – A corda passou a fazer parte do Círio desde 1885, quando uma enchente da Baía do Guajará alagou a orla desde próximo ao Ver-o-Peso até as Mercês, no momento da procissão, fazendo com que a berlinda ficasse atolada e os cavalos não conseguissem puxá-la. Os animais então foram desatrelados e um comerciante local emprestou uma corda para que os fieis puxassem a berlinda. A partir daí a corda então foi introduzida no Círio e ao longo de sua permanência já foi alvo de diversas polêmicas, sendo inclusive sendo abolida da festa entre 1926 e 1930, pelo Arcebispo Dom Irineu Jofily.

Atualmente é um dos maiores ícones da festa, utilizada na Trasladação e no Círio. Confeccionada em cisal torcido, possui 400 metros de comprimento (para cada uma das romarias) e duas polegadas de diâmetro. Até 2003, o formato da corda era de “U” com as duas extremidades atreladas à berlinda. A partir de 2004, por motivos de segurança, a corda ganhou formato linear dividida em cinco estações confeccionadas em duralumínio que ajudam a dar tração à corda e ritmo às romarias. Em cada uma das estações há a presença constante dos chamados animadores da corda que têm a função de estimular os promesseiros por meio de palavras de ordem, cânticos e orações. Atualmente, o atrelamento à berlinda ocorre de forma planejada.

Nota-se o esforço incansável da Diretoria do Círio e órgãos de segurança em fazer com que, especialmente no Círio, a corda chegue até seu destino final sem que seja cortada pelos próprios promesseiros. As campanhas de conscientização começaram em 2011 e são lançadas próximo ao Círio como forma de tentar fazer com que os objetos cortantes não sejam utilizados.

Carros de Anjos e de Promessas – Além da berlinda, outros treze carros acompanham a procissão do Círio. Eles são um símbolo importante da devoção mariana incorporados à procissão ao longo da história da Festa, seja para recolher os ex-votos (elementos de promessa) ou levando as crianças vestidas de anjos.

O primeiro carro a compor a procissão (até mesmo antes da berlinda, já que até então a imagem era levada no palanquim) foi o carro de Dom Fuas Roupinho, a partir de 1805, a pedido de Dona Maria I (Rainha de Portugal), relembrando o milagre ocorrido em Portugal em 1182, quando o fidalgo, prestes a despencar num abismo com seu cavalo, recorreu à intercessão de Nossa Senhora de Nazaré e foi salvo.

Os carros seguem no Círio na seguinte ordem: o Carro de Plácido, Barca da Guarda, a Barca Nova, Carro dos Anjos 1, Cestos de promessas, Carros dos Anjos 2, Barca com Velas, Carro dos anjos 3, Barca Portuguesa, carro dos Anjos 4, Barca com Remos, Carro Dom Fuas, Carro da Santíssima Trindade. Alunos das escolas públicas e privadas de Belém ajudam com a condução dos carros de promessas, enquanto voluntários do grupo dos Carros dos Anjos levam os demais, garantindo a segurança das crianças cujos pais pagam promessas.

Cartaz – Uma das tradições mais antigas e conhecidas do Círio de Nazaré adotada é até hoje por várias famílias, empresas e órgãos paraenses: fixar cartazes do Círio nas portas, como forma de homenagem a Senhora de Nazaré. Trata-se de um instrumento de evangelização e divulgação da festa. O primeiro Cartaz de divulgação do Círio foi confeccionado em Portugal no ano de 1826. Inicialmente as peças eram elaboradas à mão para impressão.  Atualmente o Cartaz é produzido a partir de fotografias e tem a concepção elaborada por uma agência de publicidade voluntária.

Hinos – “Vós Sois o Lírio Mimoso” é considerado o hino oficial do Círio de Nazaré. Foi composto em 1909, pelo poeta maranhense Euclydes Faria, bastante conhecido no Pará à época, para marcar a implantação da pedra fundamental da construção da Basílica como a temos hoje.

Entre os demais hinos está “Virgem de Nazaré”, que nasceu originalmente de um poema de autoria da poetisa paraense Ermelinda de Almeida, que por volta dos anos 60 foi musicado por Padre Vitalino Vari; a canção “Maria de Nazaré” que tem letra e música do sacerdote mineiro Padre José Fernandes de Oliveira (Zezinho) e foi composta em 1975; “Senhora da Berlinda” que tem letra e música de Padre Antônio Maria Borges e foi composta em 1987; “Dá-nos a bênção”, que faz parte do cancioneiro popular religioso do Brasil e teve sua letra adaptada citando o nome de Nossa Senhora de Nazaré; dentre outros.

Ex-votos ou objetos de promessas – São os elementos levados pelos devotos como sinal do agradecimento pelas graças recebidas pela intercessão de Nossa Senhora. Os mais comuns são os objetos em cera como velas normais ou de metro e partes do corpo, além de tijolos, miniaturas de barcos e casas, réplicas da berlinda e de imagens de Nossa Senhora de Nazaré. Há também outros inusitados como livros, carros de brinquedos, cruzes e outros que demonstram a gratidão do povo diante do atendimento aos apelos direcionados à Maria para que ela os alcance diante de Deus. As formas de pagamento de promessa são muitas vezes curiosas e criativas, chamando a atenção nas romarias.

Os ex-votos são depositados nos carros dos milagres ou mesmo em um local especialmente destinados a eles na própria Basílica. As peças em cera são revendidas e a renda é revertida para os projetos sociais mantidos pelas Obras Sociais da Paróquia de Nazaré. Brinquedos e outros elementos são encaminhados para doação e os mais inusitados são repassados ao Museu do Círio e o Espaço Memória de Nazaré.

Arraial – Relembrando o nascimento da Festa do Círio, todos os anos um espaço especial recebe visitantes que se divertem em um espaço ao lado da Basílica Santuário, onde são montados brinquedos e barracas para venda de comidas típicas, artesanato e produtos industrializados. O arraial movimenta a cidade durante toda a Quadra Nazarena, reunindo famílias inteiras para diversão.

Começou a ser chamado desta forma em virtude da construção das casas em volta da ermida de Plácido após o achado da imagem, aproveitando-se do grande fluxo de peregrinos que passou a ocorrer desde então. As primeiras festas de Nazaré eram realizadas no mês de setembro, época do verão amazônico, quando a intensidade de chuvas diminui. Para a realização do primeiro Círio o governador organizou uma grande feira de produtos agrícolas vindos de diversos municípios, até mesmo providenciando transporte de pessoas e mercadorias pelos rios de lugares distantes de Belém.

Manhã dos Eleitos – Todos os anos, a Diretoria da Festa escolhe um segmento da sociedade para homenagear e servir. É um dos trabalhos voluntários realizado pelos casais da Diretoria do Círio, que recebem os homenageados para um almoço festivo.

A programação da “Noite dos Eleitos” começou em 1987 devido à grande sobra de alimentos no dia depois do Círio, enquanto as pessoas ainda estavam cansadas da maratona da procissão.  Por uma questão de adaptação de espaço e para atender um número significativo de pessoas, a Diretoria da Festa do Círio optou por uma programação diurna.

Casa de Plácido – É um local de acolhida aos romeiros que vêm pagar promessas e buscar renovação espiritual, principalmente no tempo do Círio de Nazaré. A Casa de Plácido foi idealizada pelo então Reitor da Basílica Santuário de Nazaré, padre José Ramos das Mercês, inaugurada em 2009. No Círio e também ao longo do ano a Casa de Plácido acolhe com dignidade e dá conforto aos peregrinos, oferecendo atendimento, alimentação e espaço para descanso e recuperação. Localizada no térreo do Centro Social de Nazaré, possui banheiros, refeitório e praça de alimentação, ambulatório de primeiros-socorros, sala para descanso e ainda uma sala de milagres.

Texto: Fabrício Coleny – Jornalista Publicitário

Um ano antes de Santa Clara de Assis falecer, em 11 de agosto de 1253, ela queria muito ir a uma missa na Igreja de São Francisco (já falecido). Não tendo condições de ir por estar doente, ela entrou em oração e conseguiu assistir toda a celebração de sua cama em seu quarto no convento.

Segundo seus relatos, a Missa aparecia para ela como que projetada na parede de seu humilde quarto. Santa Clara conseguiu ver e ouvir toda a celebração sem sair de sua cama. O fato foi confirmado quando Santa clara de Assis contou fatos acontecidos na missa, detalhando palavras do sermão do celebrante. Mais tarde, várias pessoas que estiveram na missa confirmaram que o que Santa Clara narrou, de fato aconteceram.

Assim, pelo fato de Santa clara ter assistido a uma celebração à distância, em 14 de fevereiro de 1958, o Papa Pio XII proclamou oficialmente Santa Clara de Assis como a padroeira da televisão.

CADASTRO-Peregrinos-de-Nazare

Apresentação do cartaz – Pode-se dizer que a programação do Círio tem início com a apresentação do cartaz, que a partir de 2006, com a elevação da Basílica de Nazaré à categoria de Santuário Mariano da Arquidiocese de Belém, passou a ser realizado no dia 31 de maio, durante a programação do aniversário deste acontecimento, bem como da Festa da Coroação de Nossa Senhora e o retorno da Imagem Original ao Glória. Após a Santa Missa na Basílica, do lado de fora, na Praça Santuário, depois de muita expectativa, o cartaz é apresentado aos fieis em um grande suporte onde a peça é descerrada. A partir da apresentação começa então a preparação mais efetiva para o Círio, todos os anos.

Visitas da Imagem Peregrina – A partir do mês de maio de cada ano a Imagem Peregrina de Nossa Senhora de Nazaré participa de uma verdadeira maratona de visitas a instituições de todos segmentos, como escolas, presídios, empresas, faculdades, universidades e organizações das esferas públicas e privadas em Belém, demais municípios paraenses e até mesmo outros estados, como é o caso do Rio de Janeiro, com a realização todos os anos do Círio de Nazaré na capital fluminense. As visitas são sempre cercadas de muita emoção, homenagens e demonstrações de carinho pela Rainha da Amazônia. Centenas de visitas são realizadas entre maio e outubro.

Missa do Mandato e Peregrinações em Família – O Círio é um momento especial de evangelização quando a Igreja conta com o importante trabalho de missionários e dirigentes que seguem de casa em casa levando as imagens de Nossa Senhora de Nazaré para momentos de oração, reflexão e partilha da Palavra de Deus. O ponto de partida para o início dessa jornada é a Missa do Mandato, celebrada na Basílica Santuário como forma de envio dos grupos. Dias antes da celebração os milhares de dirigentes participam de uma manhã de formação promovida pela Diretoria do Círio e a Arquidiocese de Belém.

Atualmente mais de cinco mil grupos de peregrinações são formados nas diversas paróquias que compõem a Arquidiocese de Belém e dioceses vizinhas. Cada grupo recebe um kit contendo uma imagem de Nossa Senhora de Nazaré, cartazes do Círio e um livreto contendo os roteiros com 15 encontros preparados pela Diretoria da Festa. Mais de 110 mil casas são percorridas pelos missionários e ao final, as imagens são sorteadas entre as famílias participantes.

As peregrinações em família começaram a ser realizadas em 1972, organizadas pelo então e atual Pároco de Nazaré, Padre Giovanni Incampo. O gesto de evangelização que teve início com apenas algumas pessoas no primeiro ano, logo no ano seguinte foi espalhado para toda a Arquidiocese, a pedido do Arcebispo à época, Dom Alberto Gaudêncio Ramos, que viu nas peregrinações uma grande oportunidade de levar a mensagem do Evangelho às famílias, fazendo com que se unissem para orar, meditar e louvar a Deus.

Missa dos Comunicadores – Todos os anos, dezenas de profissionais se revezam na cobertura da grande Festa da Rainha da Amazônia. Por isso foi proposto pela Arquidiocese de Belém um momento que pudesse reunir todos esses profissionais para pedir as bênçãos para o trabalho de levar a todos os cantos do planeta as informações a quem está fora de Belém. Colaboradores de todos os veículos de comunicação são convidados a participar da Santa Missa na Basílica Santuário.

Missa de abertura do Círio – Abre oficialmente a festividade e a verdadeira maratona de eventos religiosos que congregam os milhares de devotos de Nossa Senhora de Nazaré. Após a Santa Missa, do lado de fora da Basílica, é inaugurada a iluminação externa do templo, o arraial e a feira de produtos. A cerimônia conta com a presença de autoridades civis e eclesiásticas.

A novidade este ano é a Celebração em Ação de Graças a Deus pelas Peregrinações em Família, que deve reunir os missionários e demais famílias participantes na Basílica Santuário de Nazaré. Na ocasião também serão empossados pelo Arcebispo de Belém, Dom Alberto Taveira Corrêa, o novo Pároco de Nazaré, Padre Giovanni Incampo e o novo Reitor da Basílica Santuário, Padre Luiz Carlos Gonçalves. A data também marcará o início da arrecadação de alimentos pela Paróquia de Nazaré para a campanha “Belém, a Casa do Pão”, realizada pela Arquidiocese de Belém.

Vigília de Adoração – Grupos, movimentos, serviços e pastorais das paróquias da Arquidiocese se revezam durante 48 horas, na Adoração ao Santíssimo Sacramento, na Capela Bom Pastor, no Centro Social de Nazaré, e só terminará às 6h da sexta-feira, dia 7, antes da saída do Traslado para Ananindeua.  Realizada pela primeira vez em 2001, na época durou 24 horas e a partir de 2002 passou a ser feita em 48 horas.

Transporte dos carros para a CDP – O momento que para muitas pessoas já tornou-se uma espécie de romaria não oficial é acompanhado pela Guarda de Nazaré e centenas de voluntários que levam os carros que seguem no Círio até os galpões da Companhia Docas do Pará (CDP). De lá eles saem apenas na madrugada do segundo domingo de outubro. São 4 carros de anjos e 9 que recolhem os elementos de pagamentos de Promessa, os chamados ex-votos.

Apresentação do Manto – A noite da apresentação do manto é sempre envolvida de muita emoção para os fies que aguardam com grande expectativa esse momento. Trata-se de uma verdadeira joia que traz sempre uma mensagem de evangelização. O manto veste a Imagem Peregrina durante as 12 romarias oficiais do Círio. Os detalhes artísticos sobre a peça são guardados pela Diretoria da Festa de Nazaré para que o dia da apresentação seja um momento especial. Ao final da missa há a distribuição de folhetos com informações e significado dos elementos que o compõem.

Traslado para Ananindeua – Um percurso de 47 quilômetros marca a primeira romaria oficial da programação do Círio, o Traslado para Ananindeua, na Região Metropolitana de Belém. O cortejo acontece na sexta-feira que antecede o segundo domingo de outubro e é o mais extenso e com maior duração de toda a programação, com cerca de 12 horas. Milhares de fieis acompanham correndo, de bicicleta, motocicleta e de carro e outros aguardam a passagem do cortejo nas calçadas das ruas e rodovias que fazem parte do percurso. Nossa Senhora de Nazaré recebe diversas homenagens de várias maneiras e são feitas algumas paradas, quando a Imagem Peregrina é retirada da berlinda para abençoar os devotos. A primeira dessas paradas e uma das mais emocionantes acontece em frente ao Hospital Ophir Loyola, na Avenida Magalhães Barata, onde os enfermos aguardam em um espaço especialmente preparado para eles. As demais paradas são nas paróquias localizadas em Ananindeua. O primeiro traslado aconteceu durante o Círio de 1992.

Romaria Rodoviária – Realizada na véspera do Círio, a romaria leva a imagem peregrina da Matriz de Ananindeua à orla de Icoaraci. Ao longo do percurso pelas ruas enfeitadas são realizadas muitas homenagens, especialmente com a queima de fogos. Depois de percorrer cerca de 24 quilômetros, chega ao trapiche por volta das 8h.

Romaria Fluvial – Ela está entre as mais belas romarias da programação do Círio. O percurso pelas águas da Baía de Guajará corresponde a aproximadamente 18 Km, até a Praça Pedro Teixeira. A embarcação da Marinha Brasileira leva a Imagem Peregrina em um nicho, sendo seguida por centenas de embarcações de todos os tipos e tamanhos, levando os devotos. Em muitas delas é celebrada a santa missa e são feitas pregações. A primeira Romaria Fluvial foi realizada pela então Companhia Paraense de Turismo em 1986.

Na chegada, na escadinha (Praça Pedro Teixeira), Imagem é recebida com honras de Chefe de Estado, pela Polícia Militar, fato que se repete desde 1999, motivado pela Lei Estadual nº 4.371, de 15 de dezembro de 1971, que proclamou a Virgem de Nazaré Padroeira do Pará, Rainha da Amazônia e merecedora dessa grande homenagem.

Moto Romaria – Após a chegada da Romaria Fluvial na Escadinha do Cais do Porto, os romeiros se integram aos motociclistas que aguardam a Imagem para conduzi-la na Moto Romaria até o Colégio Gentil Bittencourt. Num percurso de 2,6 quilômetros, centenas de motociclistas fazem a escolta da Imagem em um estrondoso cortejo que toma conta das ruas de Belém. A romaria foi criada em 1990 pela Federação Paraense de Motociclismo, que decidiu prestar sua homenagem.

Cerimônia de Descida da Imagem – Ao final da Moto Romaria, no interior da Basílica Santuário acontece uma das cerimônias mais esperadas da programação: a descida da Imagem Original de Nossa Senhora de Nazaré, encontrada por Plácido de Souza em 1700, do Glória sobre altar-mor. Todos os anos, ver de perto a pequena imagem de 28 centímetros emociona os milhares de peregrinos que chegam de todos os cantos para prestar homenagens. A Imagem permanece em um nicho no presbitério durante os 15 dias da festa, retornando no Recírio.

Trasladação – Na noite do sábado, véspera do Círio, milhares de fieis se reúnem para a procissão que antigamente era chamada de Antecírio. Os fiéis se dirigem à Catedral de Belém, fazendo o mesmo trajeto da procissão do domingo, em sentido inverso. Nela segue apenas a Berlinda com a Imagem Peregrina e puxada pelos promesseiros da corda.

A primeira Trasladação foi realizada pelo Governador Francisco de Souza Coutinho, junto com o Capelão do Palácio do Governo, padre José Roiz de Moura, que levaram a Imagem de Nossa Senhora de Nazaré, da Matriz até a capela do local.

Círio de Nazaré – No segundo domingo de outubro milhões de pessoas saem às ruas para mais tradicional festa religiosa da Amazônia e uma das maiores do mundo. A procissão tem 3,6 Km de percurso, saindo da Catedral, na Cidade Velha, até a Praça Santuário de Nazaré. Pessoas de todos os lugares do mundo vêm a Belém para participar da Festa.

A primeira procissão saiu na tarde do dia 8 de setembro de 1793. O Círio passou a ser realizado pela manhã a partir de 1854, devido as fortes chuvas que aconteciam à tarde. Desde 1882, o bispo Dom Macedo Costa, de comum acordo com o Presidente da Província, Dr. Justino Ferreira Carneiro, resolveu que o ponto de partida seria a Catedral, o que acontece até hoje. O segundo domingo de outubro ficou definido como o dia de realização da procissão do Círio em 1901.

Ciclo Romaria – No sábado posterior ao Círio de Nazaré, pela manhã, acontece a Ciclo Romaria, com saída da Praça Santuário de Nazaré. Todos os anos o trajeto percorrido é diferente, definido dois meses antes do Círio. Muitos ciclistas enfeitam suas bicicletas para participar do cortejo e ao final é feita a escolha das três melhores, que recebem premiação. A romaria dos ciclistas foi criada depois do pedido da Federação dos Ciclistas do Pará e da Associação dos Ciclistas de Icoaraci, em 2004.

Romaria da Juventude – É a vez da juventude homenagear a Rainha da Amazônia. A procissão é animada por um trio elétrico e é o momento de confraternização entre jovens de paróquias e comunidades da Arquidiocese de Belém, o que faz desta Romaria uma das mais animadas. Ela começou a ser realizada em 2001, com a procissão saindo da Comunidade São Braz, e a cada ano uma paróquia é sorteada para a saída do cortejo. Na chegada é celebrada a Santa Missa na Basílica.

Romaria das Crianças – No primeiro domingo após o Círio de Nazaré é a vez das crianças irem às ruas prestar suas homenagens a Nossa Senhora. A Romaria, criada com o objetivo de construir e fortalecer a devoção mariana entre os pequenos, sai e retorna à Praça Santuário, percorrendo algumas ruas do bairro de Nazaré. A Imagem Peregrina é levada no cibório e é acompanhada pelos carros dos anjos. A animação fica por conta de bandas musicais compostas por crianças e jovens de municípios do estado e também de um coral que é formado especialmente para a homenagem. A primeira Romaria foi realizada em 1990.

Romaria dos Corredores – Em 2014, mais uma romaria oficial entrou para o calendário da grande festa do Círio de Nazaré: a Romaria dos Corredores. Assim, a grande Festa ficou composta por 12 romarias oficias. O trajeto conta com aproximadamente 8 km com início e retorno na Praça Santuário. O evento não tem caráter competitivo, portanto não há cronometragem nem premiação. É feito em forma de trote (corrida de pouca velocidade). A ideia foi sugerida por uma comitiva de corredores de rua da capital paraense que encaminhou o pedido, aprovado pela Arquidiocese de Belém e Diretoria da Festa.

Procissão da Festa – Na manhã do segundo domingo após o Círio acontece a Procissão da Festa, a penúltima Romaria Nazarena e a terceira romaria mais antiga da festividade, depois do Círio e da Trasladação. A procissão é acompanhada pela Diretoria da Festa e comunidades da Paróquia de Nazaré. O percurso é diferente a cada ano para poder abranger todas as comunidades que integram a Paróquia. A imagem Peregrina segue no cibório.

Não se sabe precisamente quando a primeira Procissão da Festa foi realizada, mas em 1881 já se tem registros históricos, 24 anos antes dos Barnabitas assumirem a Paróquia de Nossa Senhora de Nazaré do Desterro, em 1905.

Missa de Encerramento da Festa – A celebração começou a ser realizada em 1982, com a inauguração da Praça Santuário. A missa é celebrada no quarto domingo de outubro e logo após é realizada a solenidade de encerramento da festividade, quando os Diretores da Festa recebem diplomas e medalhas em uma cerimônia na Casa de Plácido. O encerramento também é marcado por show pirotécnico de fogos de artifício.

Cerimônia do retorno da Imagem ao Glória – Depois de passar 15 dias perto dos fieis no presbitério, a chamada Imagem Original retorna ao nicho, no glória. A descida acontece duas vezes ao ano, sendo a primeira no mês de maio, quando se comemora o aniversário de elevação da Basílica à categoria de Santuário Mariano da Arquidiocese de Belém, e a segunda durante a Quadra Nazarena. Milhares de fieis visitam a imagem durante os 15 dias de festividade.

Recírio – Quinze dias após o Círio, em uma segunda-feira, acontece o momento que encerra toda a Festividade Nazarena, com o Recírio. É quando os paraenses se despedem da Rainha da Amazônia. A procissão começa após a missa na Praça Santuário, quando a Imagem Peregrina é conduzida em direção à Capela do Colégio Gentil Bittencourt. A primeira procissão do Recírio remonta a metade do século XIX, mas precisamente o ano de 1859.

A Basílica Santuário está de portas abertas o ano inteiro para acolher os devotos de Nossa Senhora de Nazaré. O templo é a matriz da Paróquia de Nazaré e por isso recebe as atividades pastorais e também acolhe diversas programações.

Memória de Nazaré – Em 2012, a Diretoria da Festa de Nazaré inaugurou um espaço que homenageia Nossa Senhora e tenda mostrar um pouco dos aspectos do Círio, no Centro Social de Nazaré, ao lado da Casa de Plácido, o Memória de Nazaré. O espaço abriga uma exposição permanente que conta a trajetória da festa. A mostra traz vários elementos, como fotos das romarias, mantos usados pela Imagem Peregrina e cartazes da festa ao longo dos anos, ex-votos tradicionais e também os inusitados, livros, réplicas da berlinda e da Imagem Peregrina, além de pedidos de romeiros.

Museu do Círio – O Museu do Círio foi criado pelo Governo do Estado em 1986 e reúne parte dos objetos que são carregados pelos fiéis durante o Círio. Em 2002 o espaço foi reinaugurado dentro do Complexo Feliz Lusitânia, no centro histórico da capital paraense. O Museu do Círio reúne um rico acervo documental que agrega mais 2 mil peças, divididas em dez coleções, que vão desde arte sacra do século XIX, arte popular de miriti, além de vários ex-votos e outros elementos dos Círios atuais.

Ó Virgem Imaculada de Nazaré, fostes na terra criatura tão humilde a ponto de dizer ao Anjo Gabriel:

“Eis aqui a escrava do Senhor!”

Mas por Deus fostes exaltada e preferida entre todas as mulheres para exercer a sublime missão de Mãe do Verbo E ncarnado.

Adoro e louvo o Altíssimo que vos elevou a esta excelsa dignidade e vos preservou da culpa original.

Quanto a mim, soberbo e carregado de pecados, sinto-me confundido e envergonhado perante vós.

Entretanto, confiado na bondade e ternura do vosso coração imaculado e maternal, peço-vos a força de imitar a vossa humildade e participar da vossa caridade a fim de viver unido, pela graça, ao vosso divino Filho, Jesus, assim como vós vivestes no retiro de Nazaré.

Para alcançar essa graça, quero com imenso afecto e filial devoção saudar-vos como o Arcanjo São Gabriel: “Ave Maria, cheia de graça…”

Nossa Senhora de Nazaré,

rogai por nós.

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