Espiritualidade › 06/06/2017

Dois anos de “Laudato Sí”

Frei José Longarez (*)

Há dois anos, no dia 24 de maio (Solenidade de Pentecostes) o Papa Franciscano nos deu de presente a Laudato Si, sobre o cuidado da nossa casa comum!

Nestes dois rápidos anos, nossa casa comum, a Mãe Terra, sofreu violações, no Brasil, Pátria Amada, um duro golpe de Estado, tirou, por impedimento não comprovado, a primeira mulher eleita e reeleita por voto popular direto e entrou um grupo de homens ricos, gananciosos, à serviço das grandes empresas e donos do dinheiro, que exploram mais e mais os recursos da mãe Terra, pensando que são seus proprietários e dominadores, autorizados a saqueá-la! No mundo todo tragédias e mais tragédias, atentados, massacres, migrações forçadas pela fome e pela guerra, fechamento de fronteiras para multidões de migrantes.

Inicio parafraseando a oração de Francisco de Assis pela nossa terra ao Deus Criador, presente em todos os cantos e encantos deste mundo universo e muito mais intensamente presente na mais pequenina das criaturas. Contemplemos agradecidos, Ele nos envolve com toda ternura, com cuidado abraça toda criatura e transbordando em toda terra o seu amor, para que cuidemos da vida e da beleza! Ajuda-nos a resgatar os abandonados e esquecidos, que valem tanto aos seus olhos. Cura nossa vida, para que protejamos o mundo e não o depredemos, para que semeemos beleza e não poluição e destruição! (Laudato Si’ – Oração pela terra, p. 140).

E com as vozes angelicais do céu, encarnada nas crianças da mãe terra, ouçamos e rezemos com este pequenino e inspirado vídeo: https://youtu.be/gLxAIyD3F8M

não poderíamos deixar de cantar com as vozes de nossas crianças indígenas: “Quando os pés o chão tocarem, para a dança começar; quando as mãos se entrelaçarem vida nova há de brotar. Uma só será a mesa, Terra-Mãe será o altar. O sustento, a natureza, em milagres, vai nos dar! /: Óôôô… Nova Terra nós sonhamos onde todos têm lugar. Os direitos nós buscamos: vida, pão, respeito, lar” (CF 2002).

Nas visitas aqui no nosso continente, sul americano, de onde veio e foi eleito nosso primeiro papa não europeu nos últimos séculos, Francisco, reunido com os movimentos sociais pedia: “Nenhuma família sem pão, nenhuma família sem teto, nenhuma família sem trabalho”! Diante deste profético grito, convertamo-nos para cuidar e nos envolver mais nos movimentos sociais tão perseguidos pelos mandatários do poder.

Para implorar atendimento ao desejo e sonho do coração de Francisco invoquemos, com liberdade e comunhão de espírito, o xamanismo, fenômeno de natureza mágico-religiosa, definido pelas aptidões sobrenaturais, com intensa comunhão com toda criação e rezemos:

“Gaia, Mãe Terra, que nos acolhe em seu seio e nos nutre com sua seiva de vida e transbordantes nutrientes para nosso corpo e espírito, nós te honramos no cuidado para com teu Solo Sagrado e nos alegramos com o privilegio de colher seus frutos na horta, no pomar, na floresta, com toda gratidão e reverência. Senhora da Vida Plena e do Amor pulsante que dá o ritmo de vida a todas as criaturas na face da terra. Que nossa atenção seja para perceber tais ritmos em cada ser vivo e compartilhar suas energias, pela perspectiva de seu Sagrado ponto de vista!”.

“A Mãe Xamã, guardiã dos ciclos da natureza nos ensina a graça da afinidade que podemos estabelecer com toda forma de vida. Da Mãe Natureza aprendemos que somos todos parentes na Família Planetária. Nosso Pai Céu, nossa Mãe Terra, nosso Avô Sol, nossa Avó Lua, nossos irmãos gnomos, fadas, sereias, salamandras e todas as forças vivas da natureza. Através do aprendizado das verdades encontradas em cada forma de vida da família planetária, nos é dada a oportunidade de ver as semelhanças entre nós. A Mãe Natureza acolhe todas as formas de vida no seu ventre. Ela é a guardiã dos ritmos da vida” (Sams Jamie – A Guardiã dos Ciclos da Natureza).

Na contemplação franciscana, “somos chamados a aceitar o mundo como sacramento de comunhão, como forma de partilhar com Deus e com o próximo numa escala global. É nossa humilde convicção que o divino e o humano se encontram o menor detalhe da túnica inconsútil da criação de Deus, mesmo no último grão de poeira do nosso planeta”. Com este sonho de Francisco Papa e invocando São Francisco de Assis, santo padroeiro da ecologia, vamos fazer do nosso mundo, no pequeno espaço sagrado onde vivemos, um jardim de beleza, de convivência feliz e todos cuidando de tudo que foi criado com dedos de artista pelo Pai Criador.

Com olhos extasiados de um menino descobrindo o mundo e nele querendo viver, crescer, amar e cuidar contemplemos “a natureza como um livro esplendido onde Deus nos fala e transmite algo de sua beleza e bondade”! E neste mundão de Deus vivamos construindo fraternidade, a paz, o bem e todo dom de amar.


(*) Frei José Longarez nasceu na cidade de Mirandópolis-SP, no dia 2 de Agosto de 1946, e foi ordenado em 7 de Julho de 1974. Atualmente trabalha na Basílica Santo Antônio do Embaré, em Santos-SP

Fonte: Capuchinhos (http://capuchinhos.org.br/procasp)

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