Espiritualidade › 25/10/2018

Como Francisco e Clara de Assis

Diz o ditado que atrás de um grande homem há sempre uma grande mulher, e isto é mais que real olhando para os seráficos pais Francisco e Clara. Ambos conterrâneos de Assis – Itália, viveram em tempos de muitas descobertas, guerras, divisões de classes, “leprosos”… Um cenário perfeito para o encontro de duas grandes almas que almejavam a Cristo pobre, humilde e crucificado. Ele plebeu e sonhador, ela nobre de condição e de alma.

Como sonhador Francisco parte para a guerra e depara-se com o Senhor dos senhores. Clara ainda muito jovem anseia por algo que não conhece, mas que muito anseia sua alma. Francisco escuta ao Nobre Senhor dos senhores e começa a percorrer um caminho que ia ao encontro dos irmãos menores, figurada nos mais pequeninos e estampada claramente no leproso.

Estes dois grandes santos de nossa Ordem Seráfica redigiram uma nova história de viver a Jesus Cristo dentro da mãe Igreja. Francisco vai pelo mundo afora, Clara abraça o Cristo escondido no claustro de São Damião, perfumando com suave odor todos os cantos e recantos da Igreja.

Quanto mais escondida no claustro, mais e mais a fama de santidade de Clara espalhava-se. E uma grande quantidade de mosteiros pedem para segui-la. Jovens abraçam a vida de fraternidade na clausura do mosteiro. No tempo de Clara já apontavam os documentos históricos que haviam mais de 50 irmãs em São Damião. Naquela época São Damião não era do tamanho que está hoje. Tanto o dormitório quanto a enfermaria abrigavam todas as irmãs.

Santa Clara foi a primeira mulher da história a escrever uma Regra, a forma de viver o Evangelho nas pegadas de Francisco. Mulher de fibra, não abriu mão de viver sem nada possuir, alcançando o Privilégio da Pobreza já em 1216. Ela conquistou o que muitos temiam: a pobreza de Jesus Cristo. Abraçando a pobreza, Clara abraça o Cristo pobre que foi acolhido no ventre da Santa Virgem Maria, e também de forma espiritual carregada no ventre das damas pobres.

Enquanto Francisco era estigmatizado em seu corpo, Clara carregava dentro de si as santas chagas do verdadeiro Amor.

Como Francisco e Clara de Assis, hoje em nosso tempo é necessário fazer a redescoberta do Evangelho para andarmos à luz do Senhor. Precisamos com nossa espiritualidade franciscana e clariana lançar-se sobre a Palavra de Deus e fecunda-la com nossa vida.

 

Ir. Maria Virginia do Espírito Santo, OSC
Mosteiro Maria Imaculada, Marília – SP

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