Santos Franciscanos › 12/08/2018

Beato Luís Sotelo de Sevilha

Nasceu em Sevilha, Espanha, estava a terminar os estudos na universidade de Salamanca quando foi recebido no noviciado do convento do Clavário dos frades Menores. Fez a profissão solene quando tinha 20 anos, e após os estudos de filosofia e teologia foi ordenado sacerdote. Em 1600, mostrando desejos de se dedicar à conversão de infiéis, foi enviado para as Filipinas, destinado a prestar assistência espiritual aos japoneses residentes em Dilao.

Cada mártir tem a sua história no aspecto de fé e de piedade; mas a de Luís Sotelo tem também uma vertente política, pela missão diplomática que desempenhou entre o Japão, a Espanha e a Santa Sé. Em 1615 acompanhou o embaixador japonês a Espanha, e conseguiu que ele se batizasse no mosteiro das clarissas em Madrid com o nome de Filipe. O mesmo embaixador passou depois em Roma e hospedou-se no convento franciscano de Aracéli, teve duas audiências com Paulo V, e prometeu que o seu rei protegeria os missionários e os cristãos. Com estes precedentes, ninguém iria pensar que mal passado um ano voltaria a haver perseguições, e ainda mais cruéis que as anteriores. Por contradições de que também foi vítima na própria pátria, Luís Sotelo só pôde regressar ao Japão em 1622, num pequeno barco chinês; e já não foi tratado como diplomata, mas como traidor, e por isso, em vez de ser levado à presença do imperador, foi metido numa cadeia.

Teve então tempo bastante para ver que a perseguição poderia ter sido evitada se as missões tivessem sido organizadas doutra maneira. Assim, a partir da prisão, sete meses antes de morrer, indicou ao papa, num memorial, o que havia a fazer:

1) a formação de clero indígena, para ilibar os padres europeus de suspeitas políticas, e para nos perigos poderem prestar assistência e conforto aos fiéis sem serem facilmente reconhecidos pela diferença de raça;

2) uma melhor organização hierárquica. Em vez de um único bispo, que nem sempre sequer vivia no Japão, um bispo por cada Ordem missionária, dependente dum metropolitano.

Bispos e padres, dizia ele, são os ossos e os nervos do corpo místico de Cristo que é a Igreja.  A proposta do mártir franciscano, infelizmente, chegou demasiado tarde, quando a perseguição já estava no auge.

Entretanto o papa Paulo V criara no Japão uma nova diocese, na parte oriental, evangelizada pelos franciscanos. Para essa nova sede tinha sido nomeado bispo o Beato Luís Sotelo. A sua consagração episcopal estava Núncio Apostólico de Madrid. Contudo, nunca chegou a realizar, por o bispo estar preso.

Após dois anos de prisão, durante os quais esteve rigorosamente vigiado, foi condenado à morte. No dia 25 de agosto de 1624 foi queimado vivo, a fogo lento, com outros companheiros: dois franciscanos, um jesuíta e um dominicano.

Disponível em: http://franciscanosparacadadia.blogspot.com/2012/08/12-de-agosto-beato-luis-sotelo-de.html

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